segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O vermelho revelador- Um amor entre almas.- parte VI


Ela me olhou pedindo ajuda. A mulher que lutou por sua vida, por seu amor estava pedida, caída, sem luz.

Eu olhei para ela, sabendo que tudo era real.

- Você quer a minha ajuda!- eu perguntei e juro que não lamentei a sua via.

Ela sorriu.

- Você é forte. Um homem e tanto como o meu Pedro.

- O que posso fazer para te ajudar?

- Tão forte e destemido como...

- Eu não tenho medo do que está acontecendo

- Tão sóbrio e homem como...

-...

- Pedro é o seu pai...

Eu senti o mundo mais vivo forte, como se fosse o que eu esperava.

Ela sorriu.

- Esta surpreso?

- De alguma forma a minha alma esperava por isso...

- Eu sinto muito todo esse drama...

- Ele ainda esta vivo?

- Por isso eu preciso de você, que você encontre o seu pai.

- Por quê?

- Para dizer a ele toda a minha história  para que a magoa e a dor  que ele carregue deixe a sua alma em paz. E somente o filho dele pode dizer isso. O filho que ele sempre quis o filho que ele não viu crescer e se tornar esse homem que é...

Eu encostei-me à cadeira e ela se foi o vermelho no quadro ficou mais intenso e as três amigas apareceram em minha frente.

- Que história! Estamos aqui para ajudá-lo. 

terça-feira, 29 de novembro de 2011

O vermelho revelador- Um amor entre almas.- parteVI




O meu pai com todo o seu dinheiro comprou policiais e alguns jornalista, ninguém ficou sabendo do caso, apenas que foi um assalto, mas que não havia pistas. Nesse mundo de homens com dinheiro e poder, o inferno impera a podridão domina. Que se fodam eu não estava nem ai para eles e muito menos para o meu pai.

Enfim grávida e viúva.

Agora era o meu pai que queria tirar essa criança.

- Esse bastardo não vai nascer...

-  Bota a mão no meu filho e vou a imprensa  além de ter meter um processo. Você já arruinou com a  minha vida, não vai agora tirar o meu filho.

- Não meça força comigo menina. Você vai sair perdendo.

- Não mexa com o meu filho...

Ele não me ouviu e um dia, me botou no carro e me trouxe aqui nessa casa  onde agora tem a sua clinica de ginecologista. Aqui nessas paredes, nessa sala onde estamos era uma clinica de um médico amigo de meu pai e que fazia abortos. Claro que nesse país aborto é ilegal. Mas que tem dinheiro pode tudo.

E o maldito médico me botou na maca para tirar o meu filho e quantos antes já não havia feito.

Doparam-me e tiraram o meu filho, jogaram no lixo só porque era filho de um peão.

Foi à dor mais terrível que senti em minha vida, e como havia perdido a minha vida ainda  fraca, matei o maldito médico deixando o seu sangue correr, correr.....

As enfermeiras entraram correndo e viram a cena, com medo de escândalo e do meu pai com todo o seu dinheiro não ligaram para a policia, ligaram para o meu pai. E ele apareceu em minha frente me vendo com as mãos sujas de sangue.

- Você esta louca! O que você fez!

Louca eu. Louca eram eles. E com toda a dor e ódio, matei o meu pai também o que deveria ter feito antes.

E com as mãos ainda em sangue, comecei a pintar esse quadro todo vermelho para lembrar a todos o que é uma dor, uma maldade feita com uma mulher um homem e uma criança. Uma maldade feita com um amor, uma felicidade, vidas... Vidas... Vermelho, vida...
Não fui presa porque tenho dinheiro. E voltei para buscar Pedro.
Mas ele não estava mais lá.
Voltei pra casa, terminei de pintar o quadro com o vermelho do sangue daqueles monstros e mandei colocar naquela maldita clinica que comprei com o dinheiro de meu pai.
E depois de um ano sem achar Pedro. Resolvi dar fim a minha vida.

domingo, 20 de novembro de 2011

O vermelho revelador- Um amor entre almas.- parte V




Pedro e eu ficamos felizes com a possibilidade em ter um filho e três meses depois eu estava grávida. Todos os dias eles vinha do trabalho e acariciava a minha barriga com o bebe.
Estávamos felizes como nunca até então eu havia imaginado, sonhado o que é a felicidade.
E um dia eu vi entrar pela porta de minha casa, simples de madeira no meio da selva, o meu pai e dois outros homens todos armados. Eles não me deram escolha, me ameaçaram e me levaram para o seu carro. Pedro voltava do trabalho e correu desesperado ao me ver entrar no carro. Um dos homens atirou  para o alto e Pedro mesmo assim não parou de correr em nossa direção.
- Não se aproxime de minha filha... Eu te mato. – gritou o meu pai.
- Não faça isso pai pelo amor de Deus...
- Mas ela é minha mulher, nos casamos... - disse Pedro desesperado.
- Nunca, ela já é prometida de outro.
Os dois capangas ao lado de meu pai apontaram a arma para ele.
- Pedro não... Eu vou... Mas não quero que te matem...
- Me matar... Não vou ter vida sem você...
Não teve outra escolha e partimos, Pedro estava triste, com a amargura de homem que perdeu tudo. Eu chorei dia e noite sem parar. E meu pai, nem mesmo se importou.
Voltei para a minha casa, e lá fiquei sabendo que eu me casaria com um deputado
- Mas pai...
- Não me faça perder a cabeça...
- Tudo bem, eu caso, mas me prometa que não vai fazer mal algum a Pedro.
Meu pai prometeu e mesmo na dor na terrível dor de estar longe de Pedro eu fiquei mais aliviada por ele não correr risco de vida.
Não contei a ninguém sobre a minha gravidez e finalmente conheci o tal deputado. Bem mais velho do que eu.
Rapidamente nos casamos e um mês depois a barriga começou a aparecer. O velho maldito Deputado se irritou e quis tirar o meu filho. E entre o meu filho, Pedro e esse verme do deputado, eu não tive duvida. O matei.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O vermelho revelador. Um amor entre almas. - parte IV


O seu nome é Pedro, moreno forte com seu olhar dominador me pôs aos seus pés. E como toda história de amor, a principio eu recusei, lutei. Na verdade eu tive medo do sentimento que ele buscava em mim. Mas quando duas almas se falam nada pode impedir nem todos os medos do mundo, nem todas as dores.
Ele se aproximou de mim, um  dia e tocou a minha mão. Ele sabia exatamente o que eu sentia, ele reconheceu em meu olhar o mesmo que eu reconheci em seu olhar. Deixei ele me tocar, e senti a coisa mais forte e abençoada em  minha vida quando ele me beijo.
- Eu te amo. Ele me disse  e eu acreditei.
Pedrão era peão, cuidava de vacas e cavalos. Era calmo, suave em sua força porque sabia de sua força. Era simples, não tinha nada, nada além da roupa do corpo e do emprego na fazenda de meu pai. Para mim isso não importava. E assim  fomos nos encontrando todos os dias, após o seu trabalho,nas margem do Rio Pardo. No beijávamos e somente isso era o suficiente. Ficávamos até a noite apenas um ao lado do outro.
Eu tive outros homens em minha vida, mas Pedro era o primeiro homem em que eu sentia a sua alma. E por saber de sua alma eu  conhecia o mundo, o paraíso e o que é estar viva.
Disse Diadora olhando para mim, através dos olhos de Sara.
... Até que um dia o meu pai ficou sabendo. E como toda história de amor, ele disse não ao nosso namoro. Mandou Pedro embora, me proibiu de vê-lo. Mas não como todo amor é mais forte que qualquer não. Eu fugi e me encontrei com Pedro e fomos embora da cidade. Fomo para Goiana, depois Manaus. Eu então apreendi a lavar passar, viver com pouco dinheiro e pouca comida. Mas nada disso importava, eu estava feliz, uma felicidade que vinha da alma.
Pedro me amava, e dizia isso todos os dias. Eu também o amava.
E então um dia, eu perguntei se ele nunca teve outra mulher.
E quando ele disse que sim, eu estremeci.
- Eu gostava dela, mas não a  amava. Ele me disse.
- Mas eu sinto uma tristeza em seus olhos.
- É a tristeza de não conhecer o meu filho.  É que ela fugiu grávida com outro peão. Eu sinto que o filho é meu.
- A gente pode encontrar esse filho.
- Nesse mundo de meu Deus. Só Deus mesmo um dia vai por ele perto de mim. Mas ele deve estar bem. Deus é pai.
Então propus a gente ter o nosso filho e ele aceitou.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O vermelho revelador. - parte - III. - Uma história de uma amor entre almas.



Ela se sentou confortavelmente. O seu nome é Sara, e me olhou com firmeza.
- Estranho o senhor não saber dessa história. Aqui na cidade e na região é muito conhecida.
- A senhora sabe . Eu sou novo aqui e...
- O senhor acredita em história de amor? - Ela me interrompeu.
- Não é a minha especialidade.
- E em almas. O senhor acredita? - insistiu Ela.
Com certa ressalva eu sorri .
Ela sorriu.
- Todo mundo tem uma história dessa na vida ou terá?
Ela me olhou firmemente e eu senti novamente a ausência da realidade fluir em mim, apenas a  voz de Sara me conectava a realidade.
- Diadora é seu  nome. Filha  do fazendeiro mais rico aqui da região....
O nome Diadora, me invadiu novamente. Agora sim eu parecia conhecer esse nome, tão forte e nítido invadiu os meus ouvidos, a minha alma dizendo que não era mais Sara que falava.
- Eu sempre tive tudo o que quis , dinheiro, conforto, o carinho da família.  Frequentei as festas  da cidade, os clubes, os shows. Nunca em minha vida lavei um copo, nem lustrei as minhas jóias. Diamantes, ouro, esmeraldas...Ocimar Versolato, Carolina Herrera, Kenzo... Dior...eram-me comum. Férias pelo mundo. Nada mais do que isso. somente isso....Um dia, ao visitar uma das fazendas de meu pai aqui mesmo na região, ele entrou em minha vida. Na verdade ao olhar em seus olhos eu  encontrei a minha alma a razão em estar viva, o desejo, o prazer de se existir, para nunca mais ser outra pessoa.
- O senhor está bem? - me perguntou Sara.
Então acordei, senti a realidade novamente. E vi Sara sorrindo.
- O senhor ouvi o que eu disse?
- Diadora encontrou um amor.
- E foi o amor mais lindo que já ouvi dizer. 

domingo, 25 de setembro de 2011

O vermelho revelador. parte - I - Uma história de amor entre almas

Montei a minha clínica numa cidade prospera do interior do Estado de São Paulo. Queria sossego e um pouco de frugalidade em minha vida. A cidade de São Paulo tá cada vez mais insuportável.  Sou ginecologista. E  casado e feliz. A minha família aceitou mudar de ares, e em menos de dois meses já estávamos morando nessa cidade no noroeste do estado.Uma cidade quente e acolhedora.  A família instalada, comecei a procurar um local para montar a minha clínica, os imóveis nessa cidade não são tão caros. E depois de muito procurar encontrei um imóvel perfeito, próximo ao supermercado Extra e posto da Ipiranga. Além de duas avenidas imensas que facilita o trajeto. Onde a casa que aluguei fiquei sabendo pertenceu a um médico que deixou a cidade misteriosamente, pois ninguém mais o ouviu e a família dele que me alugou a casa, pouco quis comentar o assunto.Fiquei na minha e contrato em mãos comecei a montar a minha clínica.
A casa estava vazia, era espaçosa , tinha até uma sala para pequenas cirurgia, além de "parquinho" para crianças, e havia um imenso gramado onde eu pude transformar num pequeno estacionamento cabia cinco veículos além do meu  Ford.
A minha mulher ajudou-me na decoração, mas um fato nos chamou a atenção.
Em minha sala, antes mesmo de montarmos todo o ambiente havia uma imensa gravura em revelo onde o vermelho era dominante, vivo e ocupava a parede de fora a fora, trazendo a assinatura do médico dono da clínica.
Minha mulher me olhou com estranheza.
- Acho melhor comunicar a família dele. Porque esse quadro não faz parte de tudo que esta na locação dessa casa. Vai ver ele esqueceu.
Ela tinha razão, e liguei para a família comunicando a existência do quadro.
Eles simplesmente me disseram para jogar no lixo, que não queriam aquele quadro, e abruptamente desligaram o telefone.
-  Talvez eu tenha tocado num assunto nada agradável para essa família. - comentei com minha esposa.
- Mas não vamos tirar o quadro dai, ele até que é bonito. Essa mulher discreta e esse tom de vermelho pode me ajudar na decoração. Depois quando entregar-mos a casa, o quadro estará ai e ninguém poderá nos cobrar nada.
Concordei com ela, e montada a clínica em alguns dias contratei uma secretária e comecei a clinicar.
Estranhamente, não apareceu cliente algum.Mesmo eu sendo credenciado de vários planos de saúde. Eu passei aqueles primeiros dias, navegando na Internet, me atualizando com as novidades do mundo da medicina e olhando constantemente o quadro. As vezes passava hora olhando para ele, e não percebia que o tempo passava. Então a secretária batia na porta, dizendo que seu horário se deu e ia embora. Eu ficava olhando tudo, ainda otimista, pensando que tudo era fase e que rapidamente eu teria uma boa carteira de clientes. Eu havia estudo o mercado daquela cidade e havia necessidade de mais ginecologistas.
Enfim o telefone tocou. Era uma cliente e como a secretária havia se indo, eu atendi e marquei uma hora com ela, no dia seguinte a 18 horas.
Eu então a esperei sendo a primeira cliente, e ela bateu na porta e entrou sozinha. Achei estranho, e pensei que a secretária havia se esquecido dessa cliente e já havia indo embora, mas tudo bem eu não poderia deixar de atender a minha  cliente.
Era uma mulher bonita de seus trinta anos mas parecia intocada pelas coisas da vida. Uma estranha sensação me dominou. Algo como se eu estivesse me perdido em algum lugar....
Derrepente não vi o vermelho do quadro. Achei estar tendo algum stress. O quadro estava todo incolor.
Me controlei e derrepente não via mais a mulher ali. Fechei os olhos e respirei fundo.
Ela então apareceu sorrindo, mas o vermelho do quadro  continuava ausente.

O vermelho revelador. parte II - Uma história de amor entre almas.



Subitamente ela sorriu.
- O senhor está passando bem?
- Sim? Essa cidade é muita quente.
Ela me olhou profundamente.
- Vamos a consulta!- eu disse
- Na verdade é o senhor que precisa de uma consulta.
Eu sorri.
- Diadora, é meu nome. E creio que já me viu antes.
- Desculpa, mas eu não me lembro. É um prazer Diadora.
- Ora , se esforce um pouco....- ela  disse delicadamente.
E então apaguei completamente. Mas  a sua voz penetrava em minha alma, em meus sentidos como uma força que me sufocava. Acordei em seguida e  ela tinha se ido. Me levantei fui até a sala de espera e não havia ninguém, procurei pela casa todo e nada. E quando olhei para o quadro, o vermelho estava mais vivo do que nunca. Acreditei estar passando por algum stress, algum desconforto emocional por ter  mudado de cidade, de vida, de ares.
Fui para a casa, jantei, falei com minha esposa e no dia seguinte na clínica a secretária me cumprimentou com um bom sorriso.
- Hoje temos três clientes.
Era uma notícia muito animadora, e ao olhar para o quadro o vermelho estava mais vermelho do que antes.
A primeira cliente chegou. Nos apresentamos e  ela parecia desconfortável, oferecia água ou café ela recusou e ficou olhando para o quadro.
- É um quadro bonito!
Ela apenas olhou para ele e não disse nada. Depois se virou para mim.
-Vamos a consulta. - disse um tanto triste.
E depois da consulta se foi.
A segunda cliente agiu da mesma forma, entrou cuidadosamente, se apresentou, olhou para o quadro em silêncio e se foi depois da consulta.
A terceira cliente, entrou se apresentou, olhou para mim e não ficou sentada olhando para o quadro. Se aproximou dele.
-Que cor vermelha mais linda!
- É um belo quadro!
- Belo?- ela se virou e olhando com espanto para mim se aproximou.- O senhor não sabe a história desse quadro! Dessa casa! E de quem aqui morou!
Eu fiquei surpreso.
- Não!...
- Eu e minha amigas estávamos loucas para ver esse quadro. Elas ficaram com medo, entraram ainda a pouco. Eu não tenho medo não. Acho o amor seja ele qual for a coisa mais linda do mundo.
Eu então quis saber daquela história.

domingo, 11 de setembro de 2011

A noite mais longa de minha vida.

A primeira vez que cozinhei para o demônio.

Na cidade de São Paulo, nas noite de Junho o frio é intenso e desagradável como todo frio. Como sou chefe de cozinha, deixei o restaurante as duas da manhã e quando voltava para a minha casa, o meu carro parou bem  próximo a um terreno baldio. Eu fiquei com  medo de ser assaltado, mas não tinha jeito tive que sair e ver o que era. As ruas estava desertas pelo frio, as luzes da iluminação pública estranhamente mais foscas, só não havia nevoeiro. Mas nem precisava. Derrepente tudo começou a ficar denso, escuro, e quando corri para o meu carro a porta se fechou. Fiquei paralisado, tentando entender o que estava acontecendo. E  as minhas vistas escureceram de vez e cai acordando num lugar repleto de ouro, diamantes, e sangue, muito sangue. Me levantei sentindo o nada.
Então uma voz calma se materializou perto de mim.
- Acho que sabe quem eu sou? - me perguntou irônico.
Concordei.
- Mas o que fiz! Porque estou no inferno!
- Não se preocupe. ainda é um homem  ficha limpa, aqui comigo. Apenas pedi permissão para trazê-lo porque é um cozinheiro renomado e preciso que faça um prato pra mim.
Eu não acreditei naquelas palavras, Não acreditei na situação. E então ele, se aproximou-se.
- Por favor. - me pediu com gentileza.
Eu então o vi um pouco mais humano, e  me dispus a cozinhar para ele, me perguntando o que o Satã comeria.
- Porque tantos objetos de ouro, diamante e sangue! - perguntei.
- A cobiça dos homens,  ouro e diamantes e todo o sangue causado por eles. Acabam sempre aqui comigo e não sei o que faço com tudo isso. Na realidade o inferno é um deposito de coisas que não presta. Não vejo a hora de começar um programa de reciclagem.
Disse ele, e  então entramos numa imensa sala e ele se materializou. Pisando com seus cascos num tapete feito com a pele de Hitler, e tomou um crânio da cabeça de Josef Stalin onde me disse que bebia, uma batida de soldados americanos que estupraram meninas no Iraque, pedófilos , homofóbicos, traficantes e ditadores latinos americanos. E todos estavam vivos, Hitler sentia a dor de ser pisado, Stalin abria e fechava os olhos a cada gole de seu crânio e os demais, gritavam de dor na barriga de  Satã.
- Eu estou sempre variando, esses. As vezes Stalin vira tapete, Hitler cálice,  e to sempre cagando o Pol Pot .
Eu pensei que tudo aquilo fosse uma lição para mim, e já mais queria estar ali.
- Ora não se preocupe, o ser humano sempre terá um espaço aqui. - disse ele lendo os meus pensamentos.
- Não, não posso fazer nada contra o meu semelhante nem tão pouco contra a mim mesmo.  - disse-lhe.
Ele sorriu.
- Mas não vamos falar disso agora. Eu o trouxe para cozinhar para mim, com a permissão do Senhor.
- Eu não sei se posso.
- Vamos até a cozinha.
E lá chegando, Bin Ladem estava dependurado de cabeça pra baixo junto com outros terroristas e criminosos de guerra.
- Há muito para vir aqui ainda. eu preciso come-los rápidos.
- Mas eu não posso.... não posso cozinhar um ser humano.
- Mas eles cozinharam tantos.... queimaram gente inocente com seus atentados, bateram em mulheres até matar. Porque não pode cozinha-los para mim.
- Porque não sou igual a eles. Sinto muito.
- Ora seu merda, seu fraco..... - disse o demônio irritado  e rapidamente pegou aqueles homens ainda vivo e jogou sal e pimenta e começou a come-los vivos,  olhando demoradamente para mim. Eu,  não pude resistir a cena e cai.  Acordei na cozinha do meu restaurante e  fiz um rizoto com castanha do Brasil e uma sobremesa com sorvete de açaí e ofereci a ele o demônio.  Eu não podia cozinhar seres humanos, mesmo que fossem que fosse. Mas também não poderia deixar de servir um cliente, fosse ele quem fosse. Estranhamente os pratos foram devorados e minha consciência ficou em paz com o céu e o inferno.

domingo, 24 de julho de 2011

Cadáver.- parte final.

A única gaveta aberta estava vazia.
Evaldo, passou a mão pela boca suada, mesmo com o frio daquele ambiente metálico e ficou olhando para gaveta aberta e vazia. Aquela desgraçada, maldita, queria realmente o seu corpo? Se perguntou. Mas afinal como deveria sair daquele ambiente.  Deveria se deitar na gaveta e ela o levaria para o ambiente de antes?  Mas não foi assim que chegou ali....
Evaldo gritou desesperadamente. Gritou novamente  fechando e abrindo a gaveta violentamente. Esmurrou as paredes de metal frio e grossa depois exausto sem ter a noção de quanto tempo passou ali caiu ao chão. Deitou-se e sem força alguma para evitar, meteu-se nesse sonho profundo. Algum tempo depois acordou sonolento. Estava ainda fraco, mas pode perceber que o local escuro e apertado que estava era a gaveta que evitou entrar. Tentou se mover mas uma força maior o impediu. 
Lentamente sentiu  o seu sangue se esvairar, assim como a sua força. 
Evaldo não pode ver, mas do outro lado da gaveta uma estranha criatura alimentava-se de seu sangue. E faria isso por muito tempo até ele se tornar um cadáver como os demais ali. Depois o seu corpo  seria queimado e refinado e transformado numa farinha que faria os pães  mais crocantes e gostosos da cidade.
O homem que vendeu a padaria a Evaldo, apareceu  como se fosse o Evaldo no mesmo corpo, o mesmo rosto o mesmo sorriso, tomando o seu lugar na padaria e vendendo o seu pão e depois de algum tempo venderia a padaria com o porém de que o novo proprietário não move-se o balcão do lugar. Esse homem, que não era da cidade, nem parecia ser desse país e muito menos desse mundo, fazia isso desde de 1889 quando encontrou no quintal de sua padaria um estranho objeto voador com um ser que se alimentava de sangue de homens vivos e cujo objeto voador se transformou no balcão que descansava no mesmo lugar a anos no deposito da padaria.  


quinta-feira, 21 de julho de 2011

Cadáver. - parte-III



 Evaldo pensou estar louco abraçando esse insólito pensamento de que o balcão tinha algo a ver com o sumiço de seus clientes. Mas como sempre em nossa consciência povoa a duvida,ele desceu até o deposito para ver o balcão. E lá estava ele quietinho em seu lugar, imóvel como um móvel. Evaldo se aproximou, abriu as gavetas novamente e tocou suavemente no balcão o vendo se mover sobre o piso rapidamente como se dois outros homens o empurrasse. 
- O que você quer de mim ? -disse abalado para o balcão.
E deu dois passos para o local do balcão, permanecendo onde estava o balcão, o desafiando. Sentiu um choque percorrer o seu corpo. E olhou para os  pés, o piso ia desaparecendo. Evaldo quis sair, mas era tarde e vendo que tudo ao seu redor ia se transformou , fechou os olhos e ao abrir elevou o olhar vendo que não estava mais no deposito. O deposito havia se tornado num imenso salão de paredes metálicas e frias onde uma infinita quantidade de gavetas revestiam as paredes. Não havia saída a primeira vista. Evaldo achou ser um sonho, um delírio mas ao tocar nas paredes entendeu o mundo que estava. E pensou em como sair dali, estava frio e o medo ia dominando-o. Lembrou-se do balcão de como para move-lo bastou apenas abrir as gavetas. E se foi o local do balcão que o trouxe ali  bastaria abrir as gavetas e pronto estaria em seu lugar novamente.
Evaldo correu para tocar na primeira gaveta a sua frente e abri-la. Mas o susto foi grande. Ao abrir a  gaveta  viu que repousava um corpo. Evaldo recuou, depois aproximou-se com cuidado e surpreendeu-se ao tocar o corpo imóvel. Evaldo gritou, afastou, Era um cadáver e esbarrou em outra gaveta. E a abriu acidentalmente. Outro cadáver. E outro em outra gaveta.  Evaldo  percebeu que todos aqueles cadáveres se mantinham ainda fresco com  pessoas que dormiam. Olhou para todas as gavetas teria que abrir todas para poder sair dali. E assim ao abrir todas as gavetas percebeu que estranhamente se mantinha ali ainda naquele maldito lugar. Olhou para as paredes e encontrou a última gaveta ainda fechada.  Aproximou-se dela e abriu.
- Não é possível!- gritou.
A gaveta estava vazia. A única gaveta vazia. 

terça-feira, 19 de julho de 2011

Cadáver.- parte II

Evaldo ficou olhando o porque aquele balcão  tinha tantos segredos. Não havia razão para isso. Ali, abaixo ao lado em cima de onde estava o balcão, nada existia. Tudo era como o resto do deposito. Evaldo se decepcionou, e voltou o balcão no seu lugar, e voltou para os seu dia a dia. 
A noite fechou a padaria e foi para a casa, logo pela madrugada estaria ali novamente fazendo os pães mais gostoso e crocantes da cidade. E  os fez como sempre, os melhores pães da cidade. As pessoas vieram e compraram como sempre em grande quantidade. E assim foi o dia todo, vendendo pães, tocando a sua vida, e esquecendo o mistério do  balcão, que mistério não havia nada. No dia seguinte Evaldo fez novamente os pães abriu a padaria e botou o mesmo sorriso de sempre no rosto mesmo sendo ainda cinco horas da madrugada. Estranhamente os cliente não apareceram. Talvez fosse o frio, pensou. Então das cinco passou para as seis, e sete e oito e nada dos clientes aparecerem. Evaldo estranhou, se preocupou. Os pães murcharam, esperando os clientes. Evaldo saiu a porta da padaria e viu que cidade estava em seu dia normal. Não era domingo, nem feriado. As pessoas estavam indo para o trabalho. Mas ninguém entrou em sua padaria, para comprar pão ou mesmo  tomar um simples pingado. Evaldo amargou aquela situação, ficou triste. As 15 horas ligou para um orfanato vir buscar os pães que não foram vendidos e eles que sempre aceitava os pães disseram não dessa vez. Evaldo  não dormiu aquela noite e quando acordou na madrugada seguinte para fazer os seus pães na esperança que os clientes voltassem . Um estranho pensamento lhe tomou.
Teria aquele balcão a ver com a ausência dos clientes?

domingo, 17 de julho de 2011

Cadáver. - parte I

A  padaria Roselina  na rua Olímpia é tranquila e faz os pães mas gostoso e crocantes da cidade. Evaldo o dono da padaria a comprou a três anos de um proprietário com os bigodes mais longos e o olhos mais profundo que uma dia soube existir.  Olhos tão forte e dominante que ainda persiste em sua memória. E esse proprietário que não era da cidade, nem natural do país e não parecia ser natural desse mundo, lhe vendeu a padaria como uma estranha condição. Mas, fazer o que? Evaldo pagou e ficou com a padaria e tudo o que estava nela, e a padaria era proprietária de um  segredo. Um segredo que importunava Evaldo todos os dias. O proprietário ao vender a padaria, exigiu que  nunca, nunca mesmo em hipótese alguma, o balcão  de aço inox no deposito fosse retirado. Evaldo a princípio não se importou, mas toda vez que ia ao deposito e via o balcão lembrava-se da condição de nunca mover-lo. A principio, ignorava, mas com os dias e uma melodia estranha entrando em seus ouvidos, ia dando mais atenção a aquele balcão. Um dia aproximou-se e viu que era apenas um balcão de aço inox, com gavetas  também em aço, pés resistentes e aparentemente apenas um balcão. Um simples balcão de aço. Mas porque afinal esse balcão incomodava tanto, e porque tinha que estar ali.
 Dias vão, dias vem.  E Evaldo um dia não resistiu e ao aproximar do balcão  consumido por sua curiosidade em saber o porque não poderia mover aquele balcão. Botou as suas mãos sobre ele, e com esforço descomunal tentou empurra-lo.Não conseguiu. Era pesado demais alem de  suas forças. Irritado, de uma irritação que vinha de sua  esfomeada curiosidade em saber o que  porque não podia mover o balcão. Abriu todas as gavetas tentado tira-las para jogar fora mas não conseguiu, pareciam amarrada ao balcão. E foi então que com as gavetas abertas, conseguiu mover o balcão. Foi só tocar que ele se afastou levemente, sem que força alguma fosse preciso.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Letícia. Um espirito que me desejava.- parte Final

Letícia se aproximou de mim.
- Você me ama não é mesmo!
- Desde que te vi na foto !
- Eu estou morta a quinze anos. Quando eu morri você era uma criança. Eu me lembro. Você brincava com os seus amigos no jardim do cemitério  quando o meu caixão passou com o meu corpo para ser  sepultada. Eu chorava por ter morrido, mas ao te ver eu soube que a sua alma, um dia se encontraria com a minha.
- Você me ama então!
- Sim!
- Eu também te amo e não sei desde  quando.
- Desde  agora e por quanto levarmos esse amor.
- Nos temos outras vidas! Nos encontramos em outras vidas!
- Não sei, durante esse tempo morto que fiquei te esperando eu somente pensei em você. Agora podemos descobrir se houve outras vidas em nossas vidas ou se vamos começar uma série de vida de agora em diante. Você aceita?
- Eu não conseguiria achar outra vida em minha vida sem você!
Então ela se aproximou e eu deixei. Ela entrou em mim e eu entrei em Letícia. E como um luz intensa e forte o sentimento mais lindo que já experimentei me tomou e a ela. Nos entregamos ao novo mundo.
- Espere o que estão fazendo- Eu perguntei.
- É o seu corpo estão sepultando. Agora estamos juntos.
Eu morri, mas estava vivo ao lado dela. E antes de partimos para a vida que nos tínhamos pela nossa frente, eu resolvi psicografar essa minha experiência e dizer a todos que o amor existe e é .....celestial.......

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Letícia. Um espirito que me desejava- parte III

 E por não suportar mas a minha realidade decidi me entregar ao mundo de Letícia, a mundo que ela me convidou ao entrar assim que a convidei a entrar em meu mundo quando olhei para a sua foto no túmulo do cemitério.
Então a noite quanto estava em casa jantei como se fosse a última vez, tomei um banho demorado e vi as últimas notícias do dia na tv. Depois me deitei e me entreguei ao mundo de Letícia.
O verde de esperança se foi, o vermelho  de sua paixão dominou. E definitivamente entrando naquele mundo, perdi todo medo que até então entendi como medo.  A vida ficou mais leve, perder o medo nos torna mais leve.
Ele apareceu então, vendo o meu coração livre e sem medo. Eu pude ver o seu coração sem medo e livre para mim.
- Você, me quer não é mesmo!
Letícia deixou o seu sorriso me dominar.
- Eu não sei porque.
- O que sente por mim?
- E você o que sente por mim?
- Quando vi os seus olhos, eles despertaram em mim um sentimento forte, tão forte que me levou até você sem que eu pudesse me controlar! Porque fez isso com isso comigo!
Eu percebi que ela era minha, sempre minha. Entendi que não era ela que me desejava mas eu que a desejei desde o primeiro instante que a vi naquela foto no cemitério. E eu que nunca acreditei no amor, agora tinha a certeza que ele existe e vai além, muito além do que podemos ao menos imaginar, supor ou entender.

sábado, 4 de junho de 2011

Letícia. Um espírito que me desejava. parte - II.

Ao entregar a minha alma para Letícia, então toda as noites ela aparecia em meus sonhos com uma densidade que nunca havia experimentado. Eu não via o seu corpo, nem o seu rosto, mas sentia a sua presença e o seu toque. Intensos toque percorrendo o meu corpo como se mil pessoas estivessem  ali me tocando. E quando me beijou o prazer de um orgasmo me tomou mil vezes. 
Então eu acordava e exausto tinha certeza de estar ficando louco. E tudo não passava de um deliro ou de uma psicose múltipla e desencadeada. Mas a luz do dia, o sol, as coisas do meu quarto me certicavam de que eu estava bem, numa realidade que era minha e que eu conhecia muito bem.  Mas a noite não, a noite não era minha, na noite e em todos os meus sonhos  a minha alma pertencia a Letícia.
Eu ia para o trabalho, saia com os amigos, jantava, assistia tv, e quando ia dormir, rezava. Rezava para não ter mais aqueles sonhos. Mas eu dormia, e novamente Letícia aparecia tomando o meu corpo a minha alma  e os prazeres tão intensos  me faziam experimentar  o que  alguns chamariam de paraíso outros por não saberem diriam que é o inferno, mas a verdade é que não há palavras para expressar um sentimento orgasmacionante de alma e corpo numa dimensão intensa em que Letícia me experimentava.
E o acordar era como uma porta que me trazia daquela dimensão para a realidade de sempre.
Eu na verdade não estava mais suportando o meu dia a dia, a minha realidade de sempre.

A sua alma.

"Mostre ao mundo a sua alma, deixe um comentário do que desejar para que outros possam desfrutar.
E nós se possível avaliar para depois te possuir."

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Leticia. Um espírito que me desejava.- parte I





Letícia!
Esse nome começou a aparecer em meus sonhos constantemente, logo depois que vi o seu nome em uma sepultura no cemitério central da cidade. Fui ao velório de um tio e ao passar por uma sepultura, senti a sua foto na lápide me olhar e olhei para ela. E depois todas as noites eu sonhava com algo, uma aparição que nunca dizia o seu nome, mas eu sabia que se chamava  Leticia e que dominava todo o sonho. Não tinha rosto, nem se podia saber de seu corpo, mas eu experimentava a forte e extremamente forte sensação de que seu corpo me dominava.
No primeiro sonho eu me vi em um  caminho que se iniciava com uma cor verde intensa , e um força suave que me chamava para dar o primeiro passo. Lá fui eu, e a medida que essa força ia ficando forte a cor do caminho mudava. O verde intenso enfraqueceu, tornou-se suave e então o vermelho dominou, forte, intenso com o calor que a cor nos dá. E  como nunca antes em minha vida, eu pude sentir o aroma do vermelho. Um aroma tão dominante quanto o seu tom. E eu sabia que não podia mais desistir, eu não queria mais desistir. O vermelho , o seu tom , o seu calor, o agora o seu aroma me dominaram o corpo, e do corpo deixei entrar em minha alma. Fui dominado então e cai em seu braços.
O vermelho, era Leticia. E agora eu  lhe pertencia. E ao deixar ela me dominar, sentir as suas mãos me acariciarem, numa densa experiência de carinho, tão densas que pode experimentar um gozo tão inédito para mim, quanto o meu primeiro gozo aos 13 anos.
Acordei rapidamente, como se tive cometido o maior erro de toda a minha vida.
E cometi, ao entregar a minha alma para Leticia.

domingo, 29 de maio de 2011

V.E.S

" Há um som violento em todo ser. Calado, escondido entre tantos que somos. Todos nós temos e ninguém está livre da inquietude que nos agita e nos faz ser o que o outro não é: Uma cópia. Somos seres únicos."
Frase inicial do meu romance" V.E.S - visão extra-sensorial. Dispoinvel no site Agbook e Clube dos autores.

Olhos sensitivos.

Cães e Gatos e suas capacidades de verem o que não vemos!

 Todos nós já ouvimos alguém falar dessa peculiaridade desses nossos amigos. Cães  e gatos há muito que se diz tem essa capacidade de ver o que não vemos. Os cães também tem olfato cem vezes mais apurado que o nosso, assim como a sua audição. E os gatos podem perceber movimentos e formas durante a noite e esses são dados científicos há muito divulgado.
Além do mais, alguns especialistas em paranormalidade relatam que esses nossos amigos, se incomodam quando em uma casa encontram almas insatisfeitas e até mesmo obsessoras, eles a percebem e sai de onde estão. Ou latem intensamente, ou simplesmente ficam observando com olhar parado que acompanha o espírito se mover.
Estou descrevendo essas explicações, porque me ocorreu um fato desconcertante quando eu me mudei para o apartamento , aqui num bairro tradicional de São Paulo e que  me perturbou por um longo ano.
Resumindo:
Logo que me mudei para esse apartamento, trouxe somente as minhas coisas mais básica as demais deixe na outra casa.  No primeiro dia, quando liguei a tv ela deu um estouro  explodindo em mil pedaços e quase me ferindo.Achei que fosse a parte elétrica do apartamento. E ao tomar um banho senti uma dor nas costa que nunca senti antes. O chuveiro também queimou e mesmo tendo tomando banho na água fria, senti uma vontade imensa de dormir, fechar todas as janelas e portas e me isolar do mundo. Sentimentos que nunca haviam me tomado. E tive uma noite péssima, virava de  um lado para o outro não conseguindo dormir. No outro dia, acordei com uma certa vontade de chorar assim por nada. Mas fui trabalhar, e quando cheguei na empresa todos me perguntaram o que havia acontecido porque eu estava muito abatido. Pois bem fiquei preocupado e  toquei o dia quando a tarde voltei para a casa chamei o técnico para consertar todas as coisas danificadas, ele  me disse que ao entrar no apartamento sentiu uma vontade imensa de sair correndo. E não conseguiu consertar.Mais uma noite sem tv e sem água quente.Mais uma noite sem dormir e a vontade de chorar aumentando. E quando acordei pela manhã, não consegui ir trabalhar, fiquei deitado querendo ficar deitado mais e mais. Até que sentindo fome me levantei e fui até a cozinha comer algo. Vi pela janela uma senhora do outro apartamento me olhando. Eu a comprimentei e ela me comprimentou.
- Escuta rapaz, você precisa de alguma coisa.
- Um técnico, um eletrecista!
-As coisas pifaram novamente.
- Como novamente!
- Sai na porta que conversamos.
Eu curioso fui ver do que se tratava, acreditando ser algo da parte elétrica que causando todo aquele transtorno.E o seu apartamento dava de frente ao meu.
Ela apareceu com o seu gato no colo e me olhou firmemente com toda a certeza de quem sabia o que estava falando.
- Sai desse apartamento. Ele não é bom.
- Mas o que houve para a senhora me dizer isso.
- Olhe só!
Ele então  colocou o gato na escada e ele começou a andar de um lado para o outro, com certa ansiedade. Depois ela pegou o gato e  me pediu licença e o colou dentro de meu apartamento. O gato então saiu em disparada para o seu apartamento.
-Mas o que isso quer dizer!
-Não entendeu meu filho! Esse apartamento está com espírito ruim. Os bicho sentem isso, eles vêem.
Eu cocei a minha cabeça impaciente. Era o que me faltava, uma velha louca com suas crendices me  apurrinhando . Eu agradeci, e voltei para o meu apartamento. Fechei a porta e comecei a chorar.
Então a campanhia tocou e era aquela senhora.
- Você não pode ficar!
Eu fechei a porta na cara dela. Um ato que me fugiu do controle. Não era eu, e então comecei a quebrar tudo o que eu tinha. E depois exausto cair no chão chorando sem parar.
Novamente a campanhia tocou, era a senhora e o sindico que olhei pelo olho mágico, mas tão exausto que eu estava não consegui abrir a porta.  Eles insistiram e eu deitado ao chão nem conseguia falar. O sindico tinha uma chave mestra e abriu a porta e entrou com aquela senhora, me viram no chão sobre todas as coisas quebrada tentaram me levantar mas uma força imensa os puxou para o chão junto comigo, e como se estivessemos lutando, aquela força começou entrar na senhora e no sindico. Aquela senhora que sabia algo mais do que eu começou a gritar.
-Sai de mim, sai de mim agora, saia de minha vida. ...
E se levantou como que se livrando da força. O sindico também disse o mesmo e se livrou da força.Depois ela gritou para eu dizer o mesmo.
-É um espírito, e você pode expulsa-lo . Diga para ele sai, diga agora com toda a sua força.
-  Sai de mim, sai de mim agora. Sai, sai.... repeti varias vezes e o espírito então saiu. Eu me senti aliviado e me levantei.  E aquela maldita sensação de morte, de depressão desapareceu de mim assim como um passe de mágica.
O sindico e senhora me levaram para o apartamento dela e me deram um chá e o gato então aproximou-se de mim.
- Ele não entra naquele apartamento de jeito nenhum! Desde que ... Bem...
- Um outro inquilino que morava ali se matou fazem dois anos e desde então, todos que entram nesse apartamento passam por isso que você passou.
- Nós, meu rapaz já tentamos constatar a mãe do rapaz que se matou e alugou o apartamento para você. Nós dissemos a ela tudo o que há, mas ela se recusa a tomar alguma atitude. Ela é dessas religiões radicais que acredita que essas coisas não existem e se existe são coisas do demo. Ela já trouxe pastores ai para benzer, mas não deu certo. Ela não sabe que é preciso evocar o espírito e encaminha-lo para a luz.
Bem eu ouvi tudo e depois dessa experiência resolvi entregar as chaves e alugar outro apartamento. Com o conselho dessa senhora de sempre levar um cão ou gato e se eles gostarem da casa então é porque a casa está limpa.

domingo, 22 de maio de 2011

O carona.

Beto, trabalhava na mesma empresa há cinco anos. Nos três primeiro anos Beto morava próximo a empresa, na cidade de São Bernardo. Mas quando o seu pai aposentou a família toda decidiu morar em Santos no litoral paulista e que fica apenas uma hora da cidade de São Bernardo. E assim todos os dias Beto ia e vinha pela rodovia  dos Imigrantes que  corta a imensa Serra do Mar coberta ainda por vegetação nativa e com imensos túneis  para se passar. Beto, fez amigos em Santos e todos os sábados jogavam um futebol de areia com o mar lambendo os seus pés. E como toda sexta feira o expediente ia até às 16 horas, Beto aproveita para tomar uma bebidinha com os amigos da empresa num bar ali de São Bernardo. E mesmo tendo consciência de que se beber não deve dirigir, Beto abusava. E vinha com aquela conversa de que dirigia melhor bêbado. E assim foi por alguns anos. Mas o destino está sempre de olho em nossos atos, pronto para aprontar das suas.
E assim que numa sexta feira,  Beto depois de beber com os amigos, tomou a rodovia dos Imigrantes para voltar para a casa, quando encontrou uma chuva típica da Serra do Mar. Mal se podia ver com tanta nuvens quase que abaixando sobre os carros. E já alcoolizado Beto então derrapou e  atropelou um pedinte que ia pelo acostamento e seguindo em zig zag  Beto bateu o carro numa árvore e  no mesmo instante curou de seu porre. Saiu do carro para ver o que aconteceu. Viu primeiro o carro,  que sofrera amassados diversos mas nada que o martelinho de ouro não resolvesse.  E quando olhou para atrás viu o corpo do  pedinte caído ao chão. Pensou em imediatamente fugir, porque teria complicações. Estava Bêbado, e aproximar-se do pedinte ele ainda respirava. Tomou o telefone da concessionária e ligou para o resgate e depois entrou em  seu carro tomando o rumo para  a sua casa. Chegando lá contou a sua família que apenas bateu o carro. Com medo não falou do atropelamento. Depois  foi para o seu futebol, arrumou o carro e voltou para o seu dia a dia. E  na segunda quando voltou a trabalhar passou pelo local do acidente  e pode perceber que tudo estava como antes. Beto se sentiu aliviado.  A noite quando voltou para casa, ao passar pelo local do atropelamento. Assustou-se e parou.  Incrívelmente como a uma visão diabólica,  viu um corpo deitado ao chão e no mesmo local onde estava o mendigo que atropelou. olhou pelo retrovisor e o corpo continuava lá. Então aproveitou o trânsito  leve, desceu do carro e dirigiu-se para ver se era o mesmo corpo do pedinte que atropelou. Ascendeu a luz de seu celular e não viu mais nada. Beto achou ter visto coisa e voltou para a casa. No dia seguinte quanto voltou para a casa novamente ao passar pelo mesmo local não viu corpo algum mas  figura sinistra do homem que atropelou estava em pé olhando para ele. Beto se assustou e acelerou entrando com velocidade máxima dentro do túnel e correu para a sua casa, assustado demais para comentar o assunto. Perturbado com a imagem do mesmo homem que atropelou. E naquela noite não dormiu.
No dia seguinte chegou na empresa assustado, e com medo de voltar pelo mesmo caminho.Achou melhor dormir a casa de algum amigo ou em hotel. Avisou a sua família  de que estaria a trabalho e passou a semana ali mesmo em São Bernardo. Mas a sexta feira chegou e jogar o futebol com os amigos era indispensável. E como toda sexta feira terminavam o expediente as 16 horas, Beto correu com o carro para pegar a rodovia  dos Imigrantes ainda com sol para chegar em casa antes das 18 horas. Mas o transito não ajudou, estava lento e propositalmente a noite veio. Beto temeu e ao passar pelo local do acidente desviou o seu olhar para não ver o atropelado.  E passou sem vê-lo.  Beto aliviou-se até entrar no túnel, quando ao banco do carona o atropelado estava sentado.  Beto sentiu o seu corpo gelar, mas não podia parar de dirigir. O atropelado olhou para ele com a marca de sangue ainda em sua cabeça o braço retorcido e as pernas quebradas. A luz que iluminava o imenso túnel , iluminava claramente o atropelado. E ao sair do túnel o atropelado desapareceu.
-Acho que estou vendo coisas. Vou procurar um psicólogo na segunda feira. - disse Beto, que voltou para casa transtornado e abatido.
Na segunda pela manhã quando voltava para trabalhar  ao entrar no túnel, sentiu um tranco em seu carro. Parou no acostamento e desceu para ver do que se tratava. Foi quando percebeu que amassado no capô do carro voltou. O mesmo amassado que ficou após atropelar o mendigo. Mas como aquele amassado novamente  se havia arrumado todo o carro a uma semana?  Ao entrar no carro, e acelerar viu novamente o mendigo sentar-se no banco do carona. 
E ao sair do túnel ele desaparecia. Assim como desaparecia o amassado no capô de sua carro.
E foi assim durante uma semana. Beto procurou psicólogos, pediu para rezar uma missa para aquela alma.
E numa sexta feira quando bebeu mais um pouco e ia voltando para a casa, encontrou o mendigo sentado em sua carona novamente. E com a bebida alta, Beto sentiu coragem de falar com aquele fantasma.
- Vamos o que você quer? Quer me levar, então me leva porque eu não aguento mais.
- Eu quero que você me leve para ver uma pessoa. Eu estava indo ver essa pessoa quando você me atropelou.
Beto respirou fundo. E sem que palavra alguma a mais fosse dita, Beto levou o mendigo para o local que ele queria como se o mendigo agora dirigisse o carro. Chegaram a uma casa simples de caiçaras  a beira do mar. E  Beto desceu do carro tento o mendigo ao seu lado. Uma mulher apareceu magra simples sofrida em seu rosto e corpo.
- O que quer!
Beto então olhou para o mendigo. E começou a falar o que o mendigo lhe disse para falar.
- O seu filho Samuel.
- O que ele fez dessa vez?
- Ele pede desculpas por tudo que fez. Pede perdão mesmo e diz que a bebida e as drogas e que acabaram com ele. Mas ele nunca deixou de te amar como mãe. Ele pede que o seu corpo se jogado ao mar, porque ele não quer que ninguém mais chore por ele. Ele sente muito ter feito tanta gente chorar. 
- Você esta vendo ele....
- Ele esta ao meu lado.
- Então diga a ele que vá com Deus e que eu o perdoou sim. Porque uma mãe nunca deixa de gostar de seu filho.
Beto olhou para Samuel. Ele agora sorriu sem marca alguma do acidente e foi ficando transparente. E antes de sumir de vez olhou para Beto.
- Não se preocupe, você não me atropelou. Eu que me joguei em seu carro. Eu estava com medo de olhar para a minha mãe depois de tanto a fazer sofrer. Obrigado Beto. Obrigado.
Samuel se foi e Beto ficou conversando com a sua mãe. Aliviado agora de sua culpa, decidiu não beber mais em sua vida e não temer mais os seus erros. Passou a visitar aquela senhora todos os finais de semana onde trazia roupas novas, tv e alimento para ela. O que de alguma forma alimentava agora a sua alma com o que até então não havia descoberto na vida. O destino sempre tem uma carta a mais na manga ou uma nova jogada.

A ÚLTIMA RUA - FINAL.


E então ao entender o meu amor, Soraia esticou a sua mão através do espelho e tocou a minha mão. 
-Tem certeza que é isso que você quer?
-Com a certeza de toda a minha alma! Eu não poderia viver mais um segundo sem você.
Ela sorriu. E me puxou para dentro do espelho. No beijamos pela última vez e a danação de nossas almas começou.  Todos os moradores daquela cidade que Soraia matou e manteve cativa as suas almas desde 1800 foi passando por nós, enquanto a besta se alimentava de nossa dor. Ela sorria e festejava o nosso sofrimento. Mas o meu amor por Soraia ia me fortalecendo e a Soraia também até que a última alma foi liberta e seguiu o seu caminho para a luz e que haveria de seguir. Eu e Soraia não aguentávamos mais, e pedir para morrer era impossível porque havíamos morridos centenas de milhares de vezes.
Então sarcasticamente a Besta apareceu em nossa frente com o seu mundo de dor terrível que parecia nos esmagar.
- Agora podem ir, e se precisarem de mim para mais alguma trabalho estou sempre a disposição. Sempre.
Derrepente toda a casa de Soraia desapareceu e somente eu e ela ficamos  um ao lado do outro. E começamos a caminhar entrando pela última rua da cidade e passando por todas as casas. 
- Todas as almas se foram. Estão livres.  - Eu disse.
- A minha alma ainda esta presa. Eu vagarei por anos ainda a solidão dessa cidade. 
- Não, eu estarei ao seu lado aqui.
- Não percebes Álvaro que está vivo e eu ainda não. Agora eu purgo, nesse purgatório. Deixei o inferno, mas ainda estou no purgatório. E tem que ser assim.
-Não. Eu me matarei para estar ao seu lado...
-Não, não aumente mais a minha pena. Ouça o que tem a fazer é viver tudo o que tem para viver. Até o dia em que nos encontraremos novamente. 
- Mas ...
- Acredite em nosso amor.
Foi a última coisa que ela disse e desapareceu de minhas mãos. Agora eu que sentia a dor de sua ausência a solidão de não te-la. A minha alma doía coisa que nunca imaginei ser tão doloroso e  foi quando a Besta apareceu com  a sua proposta.Aproveitando a minha dor, como é de sua natureza.
- Eu te darei Soraia, desde que me dê almas.
-Almas...
- Uma por dia. E terá Soraia um dia de cada vez.
-Não obrigado, vou seguir o meu caminho. Sou homem de encarar a minha dor, a minha fraqueza.
Ela então se irritou e gritos e  outras bestas apareceram numa escuridão que se fez o dia. Eu não temi . Nenhuma proposta me faria matar alguém . Eu esperarei Soraia o tempo que for preciso, mas com a alma limpa.  Então a besta se foi e toda a escuridão. Eu caminhei pela cidade deserta e entrei na igreja. Procurei o livro de registro  de todos que foram batizado desde 1800 e comecei a rezar pelo perdão e pela alma de cada um. E alguns meses depois a cidade voltou a ter moradores vivos. Um padre, e eu como um homem envelhecendo e esperando a morte até encontrar Soraia novamente, mas de alma limpa.

sábado, 21 de maio de 2011

A ÚLTIMA RUA - parte-V

   Era a mesma casa erguida sobre a fortuna do café e  onde os escravos iam voltado para as suas celas após um dia longo e sofrido.  Soraia e seu pai me esperavam, ou esperavam Álvaro aproximar. Acho que vinha da cidade, e logo depois de cumprimenta-los apeie do cavalo.
- Parto essa tarde para a capital do império. A minha família me espera.
- Mas...- Soraia tentou contra argumentar.
- Eu entendo é o seu cargo na corte. -disse o pai de Soraia.
Então eu parti.  E Soraia ficou na varando me olhando como se desejasse me beijar e ir comigo. De alguma forma ela sabia que nunca mais me viria. E na capital do império português o São Sebastião do Rio de Janeiro eu me perdi. Havia ali mulheres vinda de todas as partes do mundo com os piratas e os marcadores. Soraia tinha razão em sua dor, desconfiança.
Eu voltei a mim e olhei para Soraia  presa ao espelho.
-  Eu não pude suportar aquela dor. Você nunca mais voltou, nem escreveu nem deu noticia. O meu pai morreu dois meses depois. Ele queria me casar com outro fazendeiro da região. E agora acho que teria sido melhor.
- Me perdoei!
- É tarde para o perdão. E  tarde para o meu perdão. 
- Mas e essas pessoas mortas...
- Eu todas as noite matei uma por uma em sacrifico para me manter assim como me vê como a última vez que me viu. Para que esse dia chegasse e eu pudesse lhe mostrar a minha dor de ter te perdido.
- Eu fui um tolo.
- Eu em minha dor a pessoa mais cruel. 
- Podemos ...
- A minha alma foi vendida as trevas e paguei com cada escrevo que matei e cada habitante dessa cidade que ia crescendo em população. Pessoas que vinham moram na cidade e fornecer almas para eu trocar com as trevas mais um ano de vida linda e bela para te esperar até esse dia.
- Eu estou aqui. E vou com você até o inferno agora que sei que te amo.
- Me ama.
- Não vê em minha alma o meu amor.
Soraia começou a chorar.
- Agora então me arrependo. Mas pagarei caro por isso. Sofrerei mil vezes a dor da morte de cada um que matei.
- Eu sofrerei com você. Quero morrer mil vezes com você até livrar de toda a sua culpa.

sábado, 14 de maio de 2011

A ÚLTIMA RUA - parte-IV




Fiquei só naquela imensa sala ouvindo os gritos e agora  uma certa dor que começou a me tomar. Eu não tive medo de Soraia, porque a tinha em minha alma há muito tempo. E não te-la começou uma dor em mim ao mesmo tempo em que me dava forças para ir buscar aquela mulher e enfrentar todo aquele mundo da morte. Então me pus a andar pela casa, ir de cômodo a cômodo em busca de Soraia ou algo que  me levasse até ela.  Paredes imensas onde  gritos parecia ecoar moveis feitos de corpos de pessoas onde as suas almas passam por ali. E a cada cômodo o inferno era mais nítido. Até que encontrei um espelho imenso de moldura vermelha onde olhos  cravados como diamantes contornando a moldura estava a observar-me.
E desse espelho eu pude olha-lá novamente. Soraia, prisioneira em seu inferno. O inferno que criou por todos essas centenas de anos.
- Deixe-me entrar!
- Vai embora, você não pode ficar mais aqui.
- Mas você foi me buscar!
- Eu me enganei!
- Não Soraia está na hora de você deixar o seu inferno e libertar todas essas almas. 
-Não posso libertar essa almas, eu as matei todas. E se libertar para cada alma irei morrer mil vez a mesma dor.
- Matou todos dessa cidade.
- Um a um, por anos. 
- Por ódio!
- Por vaidade!
- Mas você é tão bonita, não precisava ter matado por beleza.
- Agora me vê bela. Mas....
- Mas....
- Um dia você me deixou por outra mais linda...mais bela...
- Eu...
- Agora eu posso te reconhecer Álvaro. Você me fez vir para esse inferno.
Então como se toda sombra fosse tirada de meu olhos e dos olhos de Soraia, pudemos ver o nosso passado indo naquela casa para o século XVIII.

A ÚLTIMA RUA - parte-III

 
Aquelas pessoas mortas insistiam demoradamente com seus olhares para a última rua, e como a uma energia em que eu não pode controlar , então como se todas aquelas mãos me empurrassem para a última rua comecei a caminhar. Era um energia num silêncio  dominante daquelas pessoas mortas, e como um rato nas garras de uma gavião eu era levado sem pode me mover. Tudo estava parado, ave alguma cortava o céu. E mesmo que azul estranhamente o céu começou a transformar-se em meus sentindo, não era mais o céu, na era mais a cidade nem mesmo era eu. Era o toque da morte me levando para a última rua.E lá estava eu na última rua não sabendo o que fazia ali e vendo apenas um imenso pasto depois dos paralelepípedos que calçavam ao rua.  E até onde os seus olhos podiam enxergar não existia mais nada.
E então como vinda do nada e trazendo as trevas uma casa apareceu. Uma casa sombria imensa uma dessas  casas típicas do senhores fazendeiros da região e que herdaram de seus avós, fazendeiros donos de escravos. Fui sendo empurrado para a casa, sem mover um músculo sequer. Podia se ouvir gritos enquanto a porta de folhas imensas de madeira nobre se abriam, negras e quentes. A força daqueles mortos me levou para a casa. E derrepente ao olhar para atrás não vi mais o mortos, mas a imagem assustadora de demônios avermelhados com lanças afiadas guardando a sua saída.
E estranhamente não tentei correr, já não tinha mais força alguma sobre o meu corpo ao mesmo tempo em que uma consciência  de que agora eu era dominado se concretizava claramente.E estranhamente não me lembrei de oração alguma apreendida nas igrejas. E também não quis rezar.
E pisando então nas imensas salas da casa onde o assoalho parecia ranger juntos com gritos de dores, a vi enfrente de seu trono  todo roxo e dourado. Era uma mulher linda e exuberante que o ouro e diamantes que vestia não tirava a atenção de sua beleza. Jovem e com olhar penetrante me fez aproximar.
- Sempre fui Soraia, nunca mesmo antes  houve outro nome em minha vida. Soraia. - disse Ela, com a voz doce e forte.
- Eis uma rainha! - perguntei.
- Hum! gostei disso. Um homem que não me teme e reconhece o meu valor! - Ela disse.
E não sei porque eu disse aquilo.
- Sabe porque está aqui!
- Porque você quer a minha alma!- Assustadoramente eu sabia aquela resposta e mesmo assim não temi.
-E não temes por isso!
- Não posso temer uma mulher que desejo!
Ela então  desfez o seu sorriso e  fechou as mãos como que se protegendo.
- O que diz!
- Soraia, não pode ver em minha alma que sempre esteve nela.  Eu sempre te desejei.
-Cala-te. - Ela gritou desesperada.
- Não sente o que sinto. Em meus desejos em minhas fantasias sempre habitou. Não posso teme-la, eu quero te ter. Ser seu, vamos leve a minha alma...leve o meu amor...
- Desgraçado não diga isso. Não pode trazer sem não o medo, a dor, o pavor nesse reino. 
- O amor então é proibido!
- Desgraçado cale essa boca. Não diga essa palavra...
Eu a enfureci e ela se desfez em chamas....eu fiquei só na sala.

domingo, 8 de maio de 2011

A ÚLTIMA RUA.- parte-lI


 Eu sai correndo com o meu carro e pelas ruas ia vendo as casas todas fechadas, mas se podia perceber os vultos de pessoas mortas atravessando as paredes e me olhando com um olhar de pena como se eu fosse o próximo a estar ao lado deles. Me lembrei daquela famosa frase que minha avó dizia." É preciso sorte na vida, até as flores precisam de sorte,porque umas enfeitam a vida e outras enfeitam a morte". Eu não podia contar somente com a sorte, teria que contar com a minha força de sobreviver e por isso ia engolindo o meu medo de ver aqueles mortos e estar ali naquele sonho ou realidade macabra, tétrico. Mas alimentando o meu medo de morrer o que me impulsionou o meu desespero de sair daquela cidade. E o mais incrível e inacreditável é que todas as casas,que se olhava os mortos, os moradores dessas casas iam aparecendo. Pai mão, filhos e filhas avós e avos, todos apareciam pelas paredes ou sentados em suas varandas e muros. Terrível de se ver, assustador. Mas ai então subitamente parei o carro. E deixando o medo de lado pensei, o porque toda a cidade estava morta? O que havia acontecido que os matara.
Abri a porta do meu carro e sai, e fiquei enfrente ao carro e as vi aproximando de mim, o medo se foi, porque elas, famílias inteiras não parecia assustadoras. Eram pessoas mortas.Apenas isso.E então das casas, saiam outras pessoas, com roupas de épocas de distante gerações passadas que foram morrendo e suas almas permaneciam no mesmo local.
- O que está acontecendo! Vocês querem me dizer algo!
Não falaram palavra alguma, não podiam falar. Mas apontaram para a última rua a poucos quarteirões de onde eu estava e era para lá que eu deveria ir.