segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Devoraram-me.

Sem esperança de ver o dia, eu me rastejava sobre os corpos devorados naquele canto da caverna. Sentia o gosto do sangue aguado,coagulado, apodrecido daquelas pobre pessoas. Mesmo as suas almas não estando ali mais naqueles corpos, ainda sim podia sentir que um dia foram pessoas. Seres humanos dignos ou nem tanto, com alguma moral ou toda rigidez de uma moral. Não importa, se era católicos muçulmanos, judeus,kadercistas, ateus. Eram homens, gente, como eu que tentou sobreviver. - A minha perna já não sentia mais, minutos antes eles haviam me tomado e morderam bem na altura da batata da perna. Devoraram, o sangue ainda esvairava...e eles deveriam estar com o gosto da minha carne em suas bocas evoluídas para devorar, devora. Eu me encostei num canto, onde um corpo apodrecia. Quis chorar de dor, mas a névoa do sono invadiu as minhas retinas. Tudo foi ficando escuro sem força para correr para agir, para me mexer, para gritar a escuridão foi se tomando talvez os céus, talvez.... E mesmo assim foi sentindo os seus dentes ir mastigando com afinco e força com prazer a minha carne a minha existência naquele momento...E sentir a carne sendo mastiga foi a minha ultima lembrança....