domingo, 11 de setembro de 2011

A noite mais longa de minha vida.

A primeira vez que cozinhei para o demônio.

Na cidade de São Paulo, nas noite de Junho o frio é intenso e desagradável como todo frio. Como sou chefe de cozinha, deixei o restaurante as duas da manhã e quando voltava para a minha casa, o meu carro parou bem  próximo a um terreno baldio. Eu fiquei com  medo de ser assaltado, mas não tinha jeito tive que sair e ver o que era. As ruas estava desertas pelo frio, as luzes da iluminação pública estranhamente mais foscas, só não havia nevoeiro. Mas nem precisava. Derrepente tudo começou a ficar denso, escuro, e quando corri para o meu carro a porta se fechou. Fiquei paralisado, tentando entender o que estava acontecendo. E  as minhas vistas escureceram de vez e cai acordando num lugar repleto de ouro, diamantes, e sangue, muito sangue. Me levantei sentindo o nada.
Então uma voz calma se materializou perto de mim.
- Acho que sabe quem eu sou? - me perguntou irônico.
Concordei.
- Mas o que fiz! Porque estou no inferno!
- Não se preocupe. ainda é um homem  ficha limpa, aqui comigo. Apenas pedi permissão para trazê-lo porque é um cozinheiro renomado e preciso que faça um prato pra mim.
Eu não acreditei naquelas palavras, Não acreditei na situação. E então ele, se aproximou-se.
- Por favor. - me pediu com gentileza.
Eu então o vi um pouco mais humano, e  me dispus a cozinhar para ele, me perguntando o que o Satã comeria.
- Porque tantos objetos de ouro, diamante e sangue! - perguntei.
- A cobiça dos homens,  ouro e diamantes e todo o sangue causado por eles. Acabam sempre aqui comigo e não sei o que faço com tudo isso. Na realidade o inferno é um deposito de coisas que não presta. Não vejo a hora de começar um programa de reciclagem.
Disse ele, e  então entramos numa imensa sala e ele se materializou. Pisando com seus cascos num tapete feito com a pele de Hitler, e tomou um crânio da cabeça de Josef Stalin onde me disse que bebia, uma batida de soldados americanos que estupraram meninas no Iraque, pedófilos , homofóbicos, traficantes e ditadores latinos americanos. E todos estavam vivos, Hitler sentia a dor de ser pisado, Stalin abria e fechava os olhos a cada gole de seu crânio e os demais, gritavam de dor na barriga de  Satã.
- Eu estou sempre variando, esses. As vezes Stalin vira tapete, Hitler cálice,  e to sempre cagando o Pol Pot .
Eu pensei que tudo aquilo fosse uma lição para mim, e já mais queria estar ali.
- Ora não se preocupe, o ser humano sempre terá um espaço aqui. - disse ele lendo os meus pensamentos.
- Não, não posso fazer nada contra o meu semelhante nem tão pouco contra a mim mesmo.  - disse-lhe.
Ele sorriu.
- Mas não vamos falar disso agora. Eu o trouxe para cozinhar para mim, com a permissão do Senhor.
- Eu não sei se posso.
- Vamos até a cozinha.
E lá chegando, Bin Ladem estava dependurado de cabeça pra baixo junto com outros terroristas e criminosos de guerra.
- Há muito para vir aqui ainda. eu preciso come-los rápidos.
- Mas eu não posso.... não posso cozinhar um ser humano.
- Mas eles cozinharam tantos.... queimaram gente inocente com seus atentados, bateram em mulheres até matar. Porque não pode cozinha-los para mim.
- Porque não sou igual a eles. Sinto muito.
- Ora seu merda, seu fraco..... - disse o demônio irritado  e rapidamente pegou aqueles homens ainda vivo e jogou sal e pimenta e começou a come-los vivos,  olhando demoradamente para mim. Eu,  não pude resistir a cena e cai.  Acordei na cozinha do meu restaurante e  fiz um rizoto com castanha do Brasil e uma sobremesa com sorvete de açaí e ofereci a ele o demônio.  Eu não podia cozinhar seres humanos, mesmo que fossem que fosse. Mas também não poderia deixar de servir um cliente, fosse ele quem fosse. Estranhamente os pratos foram devorados e minha consciência ficou em paz com o céu e o inferno.