sábado, 14 de maio de 2011

A ÚLTIMA RUA - parte-IV




Fiquei só naquela imensa sala ouvindo os gritos e agora  uma certa dor que começou a me tomar. Eu não tive medo de Soraia, porque a tinha em minha alma há muito tempo. E não te-la começou uma dor em mim ao mesmo tempo em que me dava forças para ir buscar aquela mulher e enfrentar todo aquele mundo da morte. Então me pus a andar pela casa, ir de cômodo a cômodo em busca de Soraia ou algo que  me levasse até ela.  Paredes imensas onde  gritos parecia ecoar moveis feitos de corpos de pessoas onde as suas almas passam por ali. E a cada cômodo o inferno era mais nítido. Até que encontrei um espelho imenso de moldura vermelha onde olhos  cravados como diamantes contornando a moldura estava a observar-me.
E desse espelho eu pude olha-lá novamente. Soraia, prisioneira em seu inferno. O inferno que criou por todos essas centenas de anos.
- Deixe-me entrar!
- Vai embora, você não pode ficar mais aqui.
- Mas você foi me buscar!
- Eu me enganei!
- Não Soraia está na hora de você deixar o seu inferno e libertar todas essas almas. 
-Não posso libertar essa almas, eu as matei todas. E se libertar para cada alma irei morrer mil vez a mesma dor.
- Matou todos dessa cidade.
- Um a um, por anos. 
- Por ódio!
- Por vaidade!
- Mas você é tão bonita, não precisava ter matado por beleza.
- Agora me vê bela. Mas....
- Mas....
- Um dia você me deixou por outra mais linda...mais bela...
- Eu...
- Agora eu posso te reconhecer Álvaro. Você me fez vir para esse inferno.
Então como se toda sombra fosse tirada de meu olhos e dos olhos de Soraia, pudemos ver o nosso passado indo naquela casa para o século XVIII.