domingo, 1 de maio de 2011

A ÚLTIMA RUA.- parte-I

   






Aconteceu comigo uma história que ninguém vai acreditar.

   Quando eu cheguei ao cruzamento de duas rodovias federais na divisa de São Paulo como Paraná, um lapso de memória me tocou. Eu só me lembrava que teria que voltar para a cidade de Campinas e me lembrei também que eu era um vendedor de produtos agrícolas. E mais nada passou pela minha cabeça, meus pensamentos foram arquivados em algum lugar em minha mente em que eu não tinha acesso. E ali parado ao acostamento tentando saber qual rodovia tomar sentir um silêncio maior do que de costume tomar a tudo ao redor. As plantações de soja e cana e algumas matas remanescentes. Nem uma viva alma, ou um pássaro passou por mim naquele instante. Então entrei no carro e tomei a rodovia a minha esquerda e foi me levando até uma cidade  típica daquelas bandas. Casas simples, com imensos quintais e árvores frutíferas, tudo ao redor de uma praça com uma igreja antiga  e totalmente deserta. O único banco da cidade estava fechado,os correios também. Pensei que fosse domingo. E vendo a porta da igreja aberta entrei. Talvez fosse uma missa de especial, e alguém ali dentro poderia me dar alguma informação. E quando entrei, foi uma surpresa danada. 
A igreja estava vazia. Vazia sem pessoa alguma. E ainda mais sem as imagens de santos típica de uma igreja católica  E mais assustador ainda, sem a própria cruz em que Jesus Cristo crucificado sempre permanece no altar de qualquer igreja católica. Tive a certeza de estar pirado. Ficando louco e sai correndo da igreja até o meu carro. Olhei novamente ao redor e não vi uma viva alma. Nem mesmo um pássaro.
Foi quando eu fui entrar em meu carro e dar no pé daquela cidade, que vi um vulto a minha frente. Correndo de uma casa a outra. Então olhei para igreja e vi um senhor de idade na porta da igreja me olhando.
Mas que merda! Eu tinha que sair dali, mas alguma coisa mais forte do que eu me mandou parar e olhar para aquele senhor.  Eu resisti lutando com a minhas forças contra algo que parecia me dominar. Algo mais forte do que eu e vindo de fora. Essa força me sugava sem querendo me levar para algum lugar para longe daquele senhor . E essa força ia ficando mais forte e mais forte. Então como uma louco sai do carro e fui até o senhor cansado, exausto. E aquele senhor soube dessa minha luta.
- Ela está te querendo! lute. Lute.
- Ela quem!....
Ele silenciou-se, tentou me dizer algo mas o som sumiu de sua boca. E ele tentava dizer, insistia e sabia que o som havia desaparecido de sua boca.
Então me levantei.
- Como eu faço para sair dessa cidade.
- A última rua, tem que passar por ela. - A sua voz voltou.
-A última rua.  - insisti e ele disse sim. - 
- Mas o que está acontecendo aqui!
- A última rua. - insistiu Ele. 
- Mas que última rua é essa. Eu quero que o senhor venha comigo... 
Foi a última coisa que disse antes de gritar e sair correndo. Ao tocar naquele senhor a minha mão passou pelo seu corpo e com o seu olhar ele me disse que estava morto, morto como todos naquela cidade.