segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O vermelho revelador- Um amor entre almas.- parte VI


Ela me olhou pedindo ajuda. A mulher que lutou por sua vida, por seu amor estava pedida, caída, sem luz.

Eu olhei para ela, sabendo que tudo era real.

- Você quer a minha ajuda!- eu perguntei e juro que não lamentei a sua via.

Ela sorriu.

- Você é forte. Um homem e tanto como o meu Pedro.

- O que posso fazer para te ajudar?

- Tão forte e destemido como...

- Eu não tenho medo do que está acontecendo

- Tão sóbrio e homem como...

-...

- Pedro é o seu pai...

Eu senti o mundo mais vivo forte, como se fosse o que eu esperava.

Ela sorriu.

- Esta surpreso?

- De alguma forma a minha alma esperava por isso...

- Eu sinto muito todo esse drama...

- Ele ainda esta vivo?

- Por isso eu preciso de você, que você encontre o seu pai.

- Por quê?

- Para dizer a ele toda a minha história  para que a magoa e a dor  que ele carregue deixe a sua alma em paz. E somente o filho dele pode dizer isso. O filho que ele sempre quis o filho que ele não viu crescer e se tornar esse homem que é...

Eu encostei-me à cadeira e ela se foi o vermelho no quadro ficou mais intenso e as três amigas apareceram em minha frente.

- Que história! Estamos aqui para ajudá-lo. 


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terça-feira, 29 de novembro de 2011

O vermelho revelador- Um amor entre almas.- parteVI




O meu pai com todo o seu dinheiro comprou policiais e alguns jornalista, ninguém ficou sabendo do caso, apenas que foi um assalto, mas que não havia pistas. Nesse mundo de homens com dinheiro e poder, o inferno impera a podridão domina. Que se fodam eu não estava nem ai para eles e muito menos para o meu pai.

Enfim grávida e viúva.

Agora era o meu pai que queria tirar essa criança.

- Esse bastardo não vai nascer...

-  Bota a mão no meu filho e vou a imprensa  além de ter meter um processo. Você já arruinou com a  minha vida, não vai agora tirar o meu filho.

- Não meça força comigo menina. Você vai sair perdendo.

- Não mexa com o meu filho...

Ele não me ouviu e um dia, me botou no carro e me trouxe aqui nessa casa  onde agora tem a sua clinica de ginecologista. Aqui nessas paredes, nessa sala onde estamos era uma clinica de um médico amigo de meu pai e que fazia abortos. Claro que nesse país aborto é ilegal. Mas que tem dinheiro pode tudo.

E o maldito médico me botou na maca para tirar o meu filho e quantos antes já não havia feito.

Doparam-me e tiraram o meu filho, jogaram no lixo só porque era filho de um peão.

Foi à dor mais terrível que senti em minha vida, e como havia perdido a minha vida ainda  fraca, matei o maldito médico deixando o seu sangue correr, correr.....

As enfermeiras entraram correndo e viram a cena, com medo de escândalo e do meu pai com todo o seu dinheiro não ligaram para a policia, ligaram para o meu pai. E ele apareceu em minha frente me vendo com as mãos sujas de sangue.

- Você esta louca! O que você fez!

Louca eu. Louca eram eles. E com toda a dor e ódio, matei o meu pai também o que deveria ter feito antes.

E com as mãos ainda em sangue, comecei a pintar esse quadro todo vermelho para lembrar a todos o que é uma dor, uma maldade feita com uma mulher um homem e uma criança. Uma maldade feita com um amor, uma felicidade, vidas... Vidas... Vermelho, vida...
Não fui presa porque tenho dinheiro. E voltei para buscar Pedro.
Mas ele não estava mais lá.
Voltei pra casa, terminei de pintar o quadro com o vermelho do sangue daqueles monstros e mandei colocar naquela maldita clinica que comprei com o dinheiro de meu pai.
E depois de um ano sem achar Pedro. Resolvi dar fim a minha vida.

domingo, 20 de novembro de 2011

O vermelho revelador- Um amor entre almas.- parte V




Pedro e eu ficamos felizes com a possibilidade em ter um filho e três meses depois eu estava grávida. Todos os dias eles vinha do trabalho e acariciava a minha barriga com o bebe.
Estávamos felizes como nunca até então eu havia imaginado, sonhado o que é a felicidade.
E um dia eu vi entrar pela porta de minha casa, simples de madeira no meio da selva, o meu pai e dois outros homens todos armados. Eles não me deram escolha, me ameaçaram e me levaram para o seu carro. Pedro voltava do trabalho e correu desesperado ao me ver entrar no carro. Um dos homens atirou  para o alto e Pedro mesmo assim não parou de correr em nossa direção.
- Não se aproxime de minha filha... Eu te mato. – gritou o meu pai.
- Não faça isso pai pelo amor de Deus...
- Mas ela é minha mulher, nos casamos... - disse Pedro desesperado.
- Nunca, ela já é prometida de outro.
Os dois capangas ao lado de meu pai apontaram a arma para ele.
- Pedro não... Eu vou... Mas não quero que te matem...
- Me matar... Não vou ter vida sem você...
Não teve outra escolha e partimos, Pedro estava triste, com a amargura de homem que perdeu tudo. Eu chorei dia e noite sem parar. E meu pai, nem mesmo se importou.
Voltei para a minha casa, e lá fiquei sabendo que eu me casaria com um deputado
- Mas pai...
- Não me faça perder a cabeça...
- Tudo bem, eu caso, mas me prometa que não vai fazer mal algum a Pedro.
Meu pai prometeu e mesmo na dor na terrível dor de estar longe de Pedro eu fiquei mais aliviada por ele não correr risco de vida.
Não contei a ninguém sobre a minha gravidez e finalmente conheci o tal deputado. Bem mais velho do que eu.
Rapidamente nos casamos e um mês depois a barriga começou a aparecer. O velho maldito Deputado se irritou e quis tirar o meu filho. E entre o meu filho, Pedro e esse verme do deputado, eu não tive duvida. O matei.

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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O vermelho revelador. Um amor entre almas. - parte IV


O seu nome é Pedro, moreno forte com seu olhar dominador me pôs aos seus pés. E como toda história de amor, a principio eu recusei, lutei. Na verdade eu tive medo do sentimento que ele buscava em mim. Mas quando duas almas se falam nada pode impedir nem todos os medos do mundo, nem todas as dores.
Ele se aproximou de mim, um  dia e tocou a minha mão. Ele sabia exatamente o que eu sentia, ele reconheceu em meu olhar o mesmo que eu reconheci em seu olhar. Deixei ele me tocar, e senti a coisa mais forte e abençoada em  minha vida quando ele me beijo.
- Eu te amo. Ele me disse  e eu acreditei.
Pedrão era peão, cuidava de vacas e cavalos. Era calmo, suave em sua força porque sabia de sua força. Era simples, não tinha nada, nada além da roupa do corpo e do emprego na fazenda de meu pai. Para mim isso não importava. E assim  fomos nos encontrando todos os dias, após o seu trabalho,nas margem do Rio Pardo. No beijávamos e somente isso era o suficiente. Ficávamos até a noite apenas um ao lado do outro.
Eu tive outros homens em minha vida, mas Pedro era o primeiro homem em que eu sentia a sua alma. E por saber de sua alma eu  conhecia o mundo, o paraíso e o que é estar viva.
Disse Diadora olhando para mim, através dos olhos de Sara.
... Até que um dia o meu pai ficou sabendo. E como toda história de amor, ele disse não ao nosso namoro. Mandou Pedro embora, me proibiu de vê-lo. Mas não como todo amor é mais forte que qualquer não. Eu fugi e me encontrei com Pedro e fomos embora da cidade. Fomo para Goiana, depois Manaus. Eu então apreendi a lavar passar, viver com pouco dinheiro e pouca comida. Mas nada disso importava, eu estava feliz, uma felicidade que vinha da alma.
Pedro me amava, e dizia isso todos os dias. Eu também o amava.
E então um dia, eu perguntei se ele nunca teve outra mulher.
E quando ele disse que sim, eu estremeci.
- Eu gostava dela, mas não a  amava. Ele me disse.
- Mas eu sinto uma tristeza em seus olhos.
- É a tristeza de não conhecer o meu filho.  É que ela fugiu grávida com outro peão. Eu sinto que o filho é meu.
- A gente pode encontrar esse filho.
- Nesse mundo de meu Deus. Só Deus mesmo um dia vai por ele perto de mim. Mas ele deve estar bem. Deus é pai.
Então propus a gente ter o nosso filho e ele aceitou.

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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O vermelho revelador. - parte - III. - Uma história de uma amor entre almas.


Ela se sentou confortavelmente. O seu nome é Sara, e me olhou com firmeza.
- Estranho o senhor não saber dessa história. Aqui na cidade e na região é muito conhecida.
- A senhora sabe . Eu sou novo aqui e...
- O senhor acredita em história de amor? - Ela me interrompeu.
- Não é a minha especialidade.
- E em almas. O senhor acredita? - insistiu Ela.
Com certa ressalva eu sorri .
Ela sorriu.
- Todo mundo tem uma história dessa na vida ou terá?
Ela me olhou firmemente e eu senti novamente a ausência da realidade fluir em mim, apenas a  voz de Sara me conectava a realidade.
- Diadora é seu  nome. Filha  do fazendeiro mais rico aqui da região....
O nome Diadora, me invadiu novamente. Agora sim eu parecia conhecer esse nome, tão forte e nítido invadiu os meus ouvidos, a minha alma dizendo que não era mais Sara que falava.
- Eu sempre tive tudo o que quis , dinheiro, conforto, o carinho da família.  Frequentei as festas  da cidade, os clubes, os shows. Nunca em minha vida lavei um copo, nem lustrei as minhas jóias. Diamantes, ouro, esmeraldas...Ocimar Versolato, Carolina Herrera, Kenzo... Dior...eram-me comum. Férias pelo mundo. Nada mais do que isso. somente isso....Um dia, ao visitar uma das fazendas de meu pai aqui mesmo na região, ele entrou em minha vida. Na verdade ao olhar em seus olhos eu  encontrei a minha alma a razão em estar viva, o desejo, o prazer de se existir, para nunca mais ser outra pessoa.
- O senhor está bem? - me perguntou Sara.
Então acordei, senti a realidade novamente. E vi Sara sorrindo.
- O senhor ouvi o que eu disse?
- Diadora encontrou um amor.
- E foi o amor mais lindo que já ouvi dizer. 

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domingo, 25 de setembro de 2011

O vermelho revelador. parte - I - Uma história de amor entre almas

Montei a minha clínica numa cidade prospera do interior do Estado de São Paulo. Eu queria sossego e um pouco de frugalidade em minha vida. A cidade de São Paulo tá cada vez mais insuportável. Sou  médico ginecologista. E  casado e feliz. A minha família aceitou mudar de ares, e em menos de dois meses já estávamos morando nessa cidade no noroeste do estado.Uma cidade quente e acolhedora. A família instalada, comecei a procurar um local para montar a minha clínica, os imóveis nessa cidade não são tão caros. E depois de muito procurar encontrei um imóvel perfeito, próximo ao supermercado Extra e posto da Ipiranga. Além de duas avenidas imensas que facilita o trajeto. Onde a casa que aluguei fiquei sabendo pertenceu a um médico que deixou a cidade misteriosamente, pois ninguém mais o ouviu e a família dele que me alugou a casa, pouco quis comentar o assunto.Fiquei na minha e contrato em mãos comecei a montar a minha clínica.
A casa estava vazia, era espaçosa , tinha até uma sala para pequenas cirurgia, além de "parquinho" para crianças, e havia um imenso gramado onde eu pude transformar num pequeno estacionamento cabia cinco veículos além do meu  BMW.
A minha mulher ajudou-me na decoração, mas um fato nos chamou a atenção.
Em minha sala, antes mesmo de montarmos todo o ambiente havia uma imensa gravura em revelo onde o vermelho era dominante, vivo e ocupava a parede de fora a fora, trazendo a assinatura do médico dono da clínica.
Minha mulher me olhou com estranheza.
- Acho melhor comunicar a família dele. Porque esse quadro não faz parte de tudo que esta na locação dessa casa. Vai ver ele esqueceu.
Ela tinha razão, e liguei para a família comunicando a existência do quadro.
Eles simplesmente me disseram para jogar no lixo, que não queriam aquele quadro, e abruptamente desligaram o telefone.
-  Talvez eu tenha tocado num assunto nada agradável para essa família. - comentei com minha esposa.
- Mas não vamos tirar o quadro dai, ele até que é bonito. Essa mulher discreta e esse tom de vermelho pode me ajudar na decoração. Depois quando a gente entregar a casa, o quadro estará ai e ninguém poderá nos cobrar nada.
Concordei com ela, e montada a clínica em alguns dias contratei uma secretária e comecei a clinicar.
Estranhamente, não apareceu cliente algum.Mesmo eu sendo credenciado de vários planos de saúde. Eu passei aqueles primeiros dias, navegando na Internet, me atualizando com as novidades do mundo da medicina e olhando constantemente o quadro. As vezes passava hora olhando para ele, e não percebia que o tempo passava. Então a secretária batia na porta, dizendo que seu horário se deu e ia embora. Eu ficava olhando tudo, ainda otimista, pensando que tudo era fase e que rapidamente eu teria uma boa carteira de clientes. Eu havia estudo o mercado daquela cidade e havia necessidade de mais ginecologistas.
Enfim o telefone tocou. Era uma cliente e como a secretária havia se indo, eu atendi e marquei uma hora com ela, no dia seguinte a 18 horas.
Eu então a esperei sendo a primeira cliente, e ela bateu na porta e entrou sozinha. Achei estranho, e pensei que a secretária havia se esquecido dessa cliente e já havia indo embora, mas tudo bem eu não poderia deixar de atender a minha  cliente.
Era uma mulher bonita de seus trinta anos mas parecia intocada pelas coisas da vida. Uma estranha sensação me dominou. Algo como se eu estivesse me perdido em algum lugar....
Derrepente não vi o vermelho do quadro. Achei estar tendo algum stress. O quadro estava todo incolor.
Me controlei e derrepentemente não via mais a mulher ali. Fechei os olhos e respirei fundo.
Ela então apareceu sorrindo, mas o vermelho do quadro  continuava ausente.


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O vermelho revelador. parte II - Uma história de amor entre almas.


Subitamente ela sorriu.
- O senhor está passando bem?
- Sim? Essa cidade é muita quente.
Ela me olhou profundamente.
- Vamos a consulta!- eu disse
- Na verdade é o senhor que precisa de uma consulta.
Eu sorri.
- Diadora, é meu nome. E creio que já me viu antes.
- Desculpa, mas eu não me lembro. É um prazer Diadora.
- Ora , se esforce um pouco....- ela  disse delicadamente.
E então apaguei completamente. Mas  a sua voz penetrava em minha alma, em meus sentidos como uma força que me sufocava. Acordei em seguida e  ela tinha se ido. Me levantei fui até a sala de espera e não havia ninguém, procurei pela casa todo e nada. E quando olhei para o quadro, o vermelho estava mais vivo do que nunca. Acreditei estar passando por algum stress, algum desconforto emocional por ter  mudado de cidade, de vida, de ares.
Fui para a casa, jantei, falei com minha esposa e no dia seguinte na clínica a secretária me cumprimentou com um bom sorriso.
- Hoje temos três clientes.
Era uma notícia muito animadora, e ao olhar para o quadro o vermelho estava mais vermelho do que antes.
A primeira cliente chegou. Nos apresentamos e  ela parecia desconfortável, oferecia água ou café ela recusou e ficou olhando para o quadro.
- É um quadro bonito!
Ela apenas olhou para ele e não disse nada. Depois se virou para mim.
-Vamos a consulta. - disse um tanto triste.
E depois da consulta se foi.
A segunda cliente agiu da mesma forma, entrou cuidadosamente, se apresentou, olhou para o quadro em silêncio e se foi depois da consulta.
A terceira cliente, entrou se apresentou, olhou para mim e não ficou sentada olhando para o quadro. Se aproximou dele.
-Que cor vermelha mais linda!
- É um belo quadro!
- Belo?- ela se virou e olhando com espanto para mim se aproximou.- O senhor não sabe a história desse quadro! Dessa casa! E de quem aqui morou!
Eu fiquei surpreso.
- Não!...
- Eu e minha amigas estávamos loucas para ver esse quadro. Elas ficaram com medo, entraram ainda a pouco. Eu não tenho medo não. Acho o amor seja ele qual for a coisa mais linda do mundo.
Eu então quis saber daquela história.


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domingo, 11 de setembro de 2011

A noite mais longa de minha vida.

A primeira vez que cozinhei para o demônio.

Na cidade de São Paulo, nas noite de Junho o frio é intenso e desagradável como todo frio. Como sou chefe de cozinha, deixei o restaurante as duas da manhã e quando voltava para a minha casa, o meu carro parou bem  próximo a um terreno baldio. Eu fiquei com  medo de ser assaltado, mas não tinha jeito tive que sair e ver o que era. As ruas estava desertas pelo frio, as luzes da iluminação pública estranhamente mais foscas, só não havia nevoeiro. Mas nem precisava. Derrepente tudo começou a ficar denso, escuro, e quando corri para o meu carro a porta se fechou. Fiquei paralisado, tentando entender o que estava acontecendo. E  as minhas vistas escureceram de vez e cai acordando num lugar repleto de ouro, diamantes, e sangue, muito sangue. Me levantei sentindo o nada.
Então uma voz calma se materializou perto de mim.
- Acho que sabe quem eu sou? - me perguntou irônico.
Concordei.
- Mas o que fiz! Porque estou no inferno!
- Não se preocupe. ainda é um homem  ficha limpa, aqui comigo. Apenas pedi permissão para trazê-lo porque é um cozinheiro renomado e preciso que faça um prato pra mim.
Eu não acreditei naquelas palavras, Não acreditei na situação. E então ele, se aproximou-se.
- Por favor. - me pediu com gentileza.
Eu então o vi um pouco mais humano, e  me dispus a cozinhar para ele, me perguntando o que o Satã comeria.
- Porque tantos objetos de ouro, diamante e sangue! - perguntei.
- A cobiça dos homens,  ouro e diamantes e todo o sangue causado por eles. Acabam sempre aqui comigo e não sei o que faço com tudo isso. Na realidade o inferno é um deposito de coisas que não presta. Não vejo a hora de começar um programa de reciclagem.
Disse ele, e  então entramos numa imensa sala e ele se materializou. Pisando com seus cascos num tapete feito com a pele de Hitler, e tomou um crânio da cabeça de Josef Stalin onde me disse que bebia, uma batida de soldados americanos que estupraram meninas no Iraque, pedófilos , homofóbicos, traficantes e ditadores latinos americanos. E todos estavam vivos, Hitler sentia a dor de ser pisado, Stalin abria e fechava os olhos a cada gole de seu crânio e os demais, gritavam de dor na barriga de  Satã.
- Eu estou sempre variando, esses. As vezes Stalin vira tapete, Hitler cálice,  e to sempre cagando o Pol Pot .
Eu pensei que tudo aquilo fosse uma lição para mim, e já mais queria estar ali.
- Ora não se preocupe, o ser humano sempre terá um espaço aqui. - disse ele lendo os meus pensamentos.
- Não, não posso fazer nada contra o meu semelhante nem tão pouco contra a mim mesmo.  - disse-lhe.
Ele sorriu.
- Mas não vamos falar disso agora. Eu o trouxe para cozinhar para mim, com a permissão do Senhor.
- Eu não sei se posso.
- Vamos até a cozinha.
E lá chegando, Bin Ladem estava dependurado de cabeça pra baixo junto com outros terroristas e criminosos de guerra.
- Há muito para vir aqui ainda. eu preciso come-los rápidos.
- Mas eu não posso.... não posso cozinhar um ser humano.
- Mas eles cozinharam tantos.... queimaram gente inocente com seus atentados, bateram em mulheres até matar. Porque não pode cozinha-los para mim.
- Porque não sou igual a eles. Sinto muito.
- Ora seu merda, seu fraco..... - disse o demônio irritado  e rapidamente pegou aqueles homens ainda vivo e jogou sal e pimenta e começou a come-los vivos,  olhando demoradamente para mim. Eu,  não pude resistir a cena e cai.  Acordei na cozinha do meu restaurante e  fiz um rizoto com castanha do Brasil e uma sobremesa com sorvete de açaí e ofereci a ele o demônio.  Eu não podia cozinhar seres humanos, mesmo que fossem que fosse. Mas também não poderia deixar de servir um cliente, fosse ele quem fosse. Estranhamente os pratos foram devorados e minha consciência ficou em paz com o céu e o inferno.

domingo, 24 de julho de 2011

Cadáver.- parte final.

A única gaveta aberta estava vazia.
Evaldo, passou a mão pela boca suada, mesmo com o frio daquele ambiente metálico e ficou olhando para gaveta aberta e vazia. Aquela desgraçada, maldita, queria realmente o seu corpo? Se perguntou. Mas afinal como deveria sair daquele ambiente.  Deveria se deitar na gaveta e ela o levaria para o ambiente de antes?  Mas não foi assim que chegou ali....
Evaldo gritou desesperadamente. Gritou novamente  fechando e abrindo a gaveta violentamente. Esmurrou as paredes de metal frio e grossa depois exausto sem ter a noção de quanto tempo passou ali caiu ao chão. Deitou-se e sem força alguma para evitar, meteu-se nesse sonho profundo. Algum tempo depois acordou sonolento. Estava ainda fraco, mas pode perceber que o local escuro e apertado que estava era a gaveta que evitou entrar. Tentou se mover mas uma força maior o impediu. 
Lentamente sentiu  o seu sangue se esvairar, assim como a sua força. 
Evaldo não pode ver, mas do outro lado da gaveta uma estranha criatura alimentava-se de seu sangue. E faria isso por muito tempo até ele se tornar um cadáver como os demais ali. Depois o seu corpo  seria queimado e refinado e transformado numa farinha que faria os pães  mais crocantes e gostosos da cidade.
O homem que vendeu a padaria a Evaldo, apareceu  como se fosse o Evaldo no mesmo corpo, o mesmo rosto o mesmo sorriso, tomando o seu lugar na padaria e vendendo o seu pão e depois de algum tempo venderia a padaria com o porém de que o novo proprietário não move-se o balcão do lugar. Esse homem, que não era da cidade, nem parecia ser desse país e muito menos desse mundo, fazia isso desde de 1889 quando encontrou no quintal de sua padaria um estranho objeto voador com um ser que se alimentava de sangue de homens vivos e cujo objeto voador se transformou no balcão que descansava no mesmo lugar a anos no deposito da padaria.  


quinta-feira, 21 de julho de 2011

Cadáver. - parte-III



 Evaldo pensou estar louco abraçando esse insólito pensamento de que o balcão tinha algo a ver com o sumiço de seus clientes. Mas como sempre em nossa consciência povoa a duvida,ele desceu até o deposito para ver o balcão. E lá estava ele quietinho em seu lugar, imóvel como um móvel. Evaldo se aproximou, abriu as gavetas novamente e tocou suavemente no balcão o vendo se mover sobre o piso rapidamente como se dois outros homens o empurrasse. 
- O que você quer de mim ? -disse abalado para o balcão.
E deu dois passos para o local do balcão, permanecendo onde estava o balcão, o desafiando. Sentiu um choque percorrer o seu corpo. E olhou para os  pés, o piso ia desaparecendo. Evaldo quis sair, mas era tarde e vendo que tudo ao seu redor ia se transformou , fechou os olhos e ao abrir elevou o olhar vendo que não estava mais no deposito. O deposito havia se tornado num imenso salão de paredes metálicas e frias onde uma infinita quantidade de gavetas revestiam as paredes. Não havia saída a primeira vista. Evaldo achou ser um sonho, um delírio mas ao tocar nas paredes entendeu o mundo que estava. E pensou em como sair dali, estava frio e o medo ia dominando-o. Lembrou-se do balcão de como para move-lo bastou apenas abrir as gavetas. E se foi o local do balcão que o trouxe ali  bastaria abrir as gavetas e pronto estaria em seu lugar novamente.
Evaldo correu para tocar na primeira gaveta a sua frente e abri-la. Mas o susto foi grande. Ao abrir a  gaveta  viu que repousava um corpo. Evaldo recuou, depois aproximou-se com cuidado e surpreendeu-se ao tocar o corpo imóvel. Evaldo gritou, afastou, Era um cadáver e esbarrou em outra gaveta. E a abriu acidentalmente. Outro cadáver. E outro em outra gaveta.  Evaldo  percebeu que todos aqueles cadáveres se mantinham ainda fresco com  pessoas que dormiam. Olhou para todas as gavetas teria que abrir todas para poder sair dali. E assim ao abrir todas as gavetas percebeu que estranhamente se mantinha ali ainda naquele maldito lugar. Olhou para as paredes e encontrou a última gaveta ainda fechada.  Aproximou-se dela e abriu.
- Não é possível!- gritou.
A gaveta estava vazia. A única gaveta vazia. 

terça-feira, 19 de julho de 2011

Cadáver.- parte II

Evaldo ficou olhando o porque aquele balcão  tinha tantos segredos. Não havia razão para isso. Ali, abaixo ao lado em cima de onde estava o balcão, nada existia. Tudo era como o resto do deposito. Evaldo se decepcionou, e voltou o balcão no seu lugar, e voltou para os seu dia a dia. 
A noite fechou a padaria e foi para a casa, logo pela madrugada estaria ali novamente fazendo os pães mais gostoso e crocantes da cidade. E  os fez como sempre, os melhores pães da cidade. As pessoas vieram e compraram como sempre em grande quantidade. E assim foi o dia todo, vendendo pães, tocando a sua vida, e esquecendo o mistério do  balcão, que mistério não havia nada. No dia seguinte Evaldo fez novamente os pães abriu a padaria e botou o mesmo sorriso de sempre no rosto mesmo sendo ainda cinco horas da madrugada. Estranhamente os cliente não apareceram. Talvez fosse o frio, pensou. Então das cinco passou para as seis, e sete e oito e nada dos clientes aparecerem. Evaldo estranhou, se preocupou. Os pães murcharam, esperando os clientes. Evaldo saiu a porta da padaria e viu que cidade estava em seu dia normal. Não era domingo, nem feriado. As pessoas estavam indo para o trabalho. Mas ninguém entrou em sua padaria, para comprar pão ou mesmo  tomar um simples pingado. Evaldo amargou aquela situação, ficou triste. As 15 horas ligou para um orfanato vir buscar os pães que não foram vendidos e eles que sempre aceitava os pães disseram não dessa vez. Evaldo  não dormiu aquela noite e quando acordou na madrugada seguinte para fazer os seus pães na esperança que os clientes voltassem . Um estranho pensamento lhe tomou.
Teria aquele balcão a ver com a ausência dos clientes?

domingo, 17 de julho de 2011

Cadáver. - parte I

A  padaria Roselina  na rua Olímpia é tranquila e faz os pães mas gostoso e crocantes da cidade. Evaldo o dono da padaria a comprou a três anos de um proprietário com os bigodes mais longos e o olhos mais profundo que uma dia soube existir.  Olhos tão forte e dominante que ainda persiste em sua memória. E esse proprietário que não era da cidade, nem natural do país e não parecia ser natural desse mundo, lhe vendeu a padaria como uma estranha condição. Mas, fazer o que? Evaldo pagou e ficou com a padaria e tudo o que estava nela, e a padaria era proprietária de um  segredo. Um segredo que importunava Evaldo todos os dias. O proprietário ao vender a padaria, exigiu que  nunca, nunca mesmo em hipótese alguma, o balcão  de aço inox no deposito fosse retirado. Evaldo a princípio não se importou, mas toda vez que ia ao deposito e via o balcão lembrava-se da condição de nunca mover-lo. A principio, ignorava, mas com os dias e uma melodia estranha entrando em seus ouvidos, ia dando mais atenção a aquele balcão. Um dia aproximou-se e viu que era apenas um balcão de aço inox, com gavetas  também em aço, pés resistentes e aparentemente apenas um balcão. Um simples balcão de aço. Mas porque afinal esse balcão incomodava tanto, e porque tinha que estar ali.
 Dias vão, dias vem.  E Evaldo um dia não resistiu e ao aproximar do balcão  consumido por sua curiosidade em saber o porque não poderia mover aquele balcão. Botou as suas mãos sobre ele, e com esforço descomunal tentou empurra-lo.Não conseguiu. Era pesado demais alem de  suas forças. Irritado, de uma irritação que vinha de sua  esfomeada curiosidade em saber o que  porque não podia mover o balcão. Abriu todas as gavetas tentado tira-las para jogar fora mas não conseguiu, pareciam amarrada ao balcão. E foi então que com as gavetas abertas, conseguiu mover o balcão. Foi só tocar que ele se afastou levemente, sem que força alguma fosse preciso.