domingo, 14 de outubro de 2012

O mistério de uma música

Arnaldo e Juliana se apaixonaram pela casa a primeira vez que a viu. E como estava para comprar uma, não tiveram duvidas. E depois de comprar fizeram pequenas reformas: Trocaram algumas janelas, pintaram a fachada de uma cor mais alegre e por fim se mudaram. Estava feliz com a casa, muito feliz. O tempo passou e com os ouvidos se acostumado com o ambiente depois de algum tempo perceberam que uma musica bastante distante chegava até os seus ouvidos todo final de noite e começo de madrugada. Lá pela meia noite, quando o transito da cidade está mais calmo e se pode ouvir o silêncio da noite.

A princípio se ignorou, mas com o tempo isso foi ficando evidente demais. Audível claramente. Arnaldo e Juliana, então começaram a presta a atenção. A música era emocionante a melodia envolvente e assim mesmo que toda a noite se ouvia a mesma música não enjoava. Não era uma música cansativa.

- Deve ser de alguma casa vizinha. - disse uma noite Arnaldo. - Juliana concordou

E assim se acostumaram com a música todas as noites.
E numa noite quando voltavam de uma festa ao estacionar o carro na garagem já a alta   madrugada, então ouviram novamente a música ali além das paredes da casa, no pequeno jardim da casa.

- Ouça Arnaldo! – disse Juliana com cuidados.
Arnaldo sorriu.

- Amanhã é Sábado mesmo podemos ficar aqui ouvindo essa musica mais um pouco e quem sabe até dançar.
Juliana concordou. Então começaram a dançar. Estavam felizes.
Derrepente Juliana se espantou.

- Olhe para essas rosas! Nunca as vi assim tão imensas e vermelhas.
Arnaldo ascendeu à luz. E a luz clareou as rosas. No pequeno jardim que sempre esteve ali, nunca notaram as rosas vermelhas e vividas como elas se mostravam naquela noite.

- Olhe só. O pé todo é vermelho até as folhas e os espinhos.

- Estranho durante o dia são verdes. - disse Juliana.

Derrepente a música parou de tocar. E as rosas começaram a murchar sobre os olhos surpresos e espantados de Arnaldo e Juliana.  As rosas então murcharam  todas as pétalas caíram e o vermelho dos caules, das folhas e dos espinhos, recuou para a terra, deixando a roseira de folhas verdes novamente e sem rosas.Espantados Juliana e Arnaldo ficaram ali olhando por algum tempo e depois voltaram para dentro de casa tentando imaginar o que acontecia com a roseira e a música.

E atônitos resolveram esperar a noite seguinte para ter certeza de que não estavam loucos.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O último desejo.

Um jogador de futebol deve estar sempre preparado para uma partida.  É o que se espera de um jogador profissional. Mas quando a partida é entre amigos, num final de semana de churrasco e tudo mais. O comprometimento tem que ser maior. Porque não se pode deixar amigos “na mão”. Não, não pode.

Juliano sabia disso e mesmo com um compromisso inadiável, teria que dar um jeito de participar ou então ouviria por muito tempo.
O fato é que indo para o trabalho firmou o seus pensamentos e pediu que os amigos encontrassem outro para substituí-lo. Juliano dirigia com toda a atenção, mas o seus pensamentos estavam em não desagradar os amigos.

- Juliano você sabe que a partida decisiva do campeonato da empresa. Mata a mata. E se você faltar tá frito com nós por um bom tempo. – Ouviu a voz de Evaldo, Péricles, Thiago e Orlando e todos mais castigando cobrando a sua consciência. 

A situação era desesperador e assim pedia para alguém substituí-lo. Era quase uma reza. E quando deu por si, Juliano bateu o carro em uma carreta “cegonheira”.

-Puta merda, mais essa- Gritou. Sorte que estava com o cinto de segurança  e quanto ao carro tinha um bom  seguro.

Assim que o resgate chegou o tiraram do carro e o levaram para o hospital. Juliano teve luxações e mesmo com o cinto de segurança deslocou a clavícula esquerda. Nada preocupante que era preciso ficar em observação.
A sua preocupação agora era avisar a família e os amigos. De algum modo o seu pedido foi atendido. Então o médico apareceu. Não trouxe boas noticias. O motorista da cegonheira havia morrido.

-Ele estava sobre efeito de “arrebites” e sem o sinto. Rapaz, você evitou que ele batesse num ônibus cheio de passageiros. A tragédia poderia ser pior.

Não foi o suficiente para Juliano. Um homem havia morrido no acidente que ele estava envolvido. Isso o chateou. E ao avisar os amigos disse sobre o acidente e que estaria de repouso e, portanto não poderia ir ao jogo do final de semana. Todos entenderam. E disseram para se cuidar.

Juliano então quis ir ver o homem que morreu. O médico concordou. Juliano se, pois frente ao corpo do homem ainda na sala de atendimento e rezou pedindo desculpas por ter participado do acidente. Aquilo pesou em sua consciência. Juliano chorou.

- Não se preocupe. O senhor não teve culpa. Sobre efeito de drogas esse homem perdeu a coordenação e ia bater em um ônibus quando bateu em seu carro.

Juliano rezou mais uma vez para aquele homem e foi para a casa. Um acidente de trânsito vai longe a sua investigação e Juliano sabia disso.
O fato é que o acidente o livrou do jogo com os amigos, e por não ter sofrido nada sério pode ir ao seu compromisso naquele final de semana nada agradável. E na segunda na empresa, com os amigos. Todos querendo saber como ele estava. Juliano então perguntou do  jogo do final de semana.

-Foi bom demais.

-E que jogou em meu lugar?

-Joaquim?

-Joaquim?

-É. Um cara que apareceu lá no domingo. E jogou bem. Gente simpática. Fez o nosso time ganhar, Juliano. O Orlando tirou foto dele.

- É que é esse cara? Parente de alguém?

-Não parente não. Apareceu lá. E depois do jogo sem que ninguém o visse se mandou não dei tchau pra ninguém. Acho que foi só pra jogar.

- Estranho!
Orlando mostrou a foto.

- Eu lembro que ele me disse durante o jogo que o que ele mais queria era jogar uma partida de futebol e que havia sonhado e desejado isso a semana toda. – disse Orlando.

Ao ver a foto, Juliano não teve duvida. Era o motorista da cegonheira.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O Encontro.

Um encontro que não se pode explicar.
Elem entrou em minha vida numa sexta feira e não era treze. Dia 21 de setembro. Era um período de mudanças não somente nas estações do ano, mas em minha vida também.
Eu havia acabado de me separar. E estava procurando um apartamento para alugar. Elem é corretora, mas não somente isso. Elem sabe das coisas, tem um ar aguçado para tudo e vê além do que simplesmente estamos acostumados a ver.
Então nos encontramos para ela me mostrar um apartamento. Até então somente havíamos se comunicado por telefone. E ao chegar ao local ela sorriu amigavelmente. Cumprimentamos-nos e falamos alguma coisa do tempo.
- Aceita tomar um café antes de ver o apartamento!
Ela me disse sorrindo.
Eu aceitei claro. Elem tinha um sorriso irresistível e um olhar que parecia penetrar em sua alma. Mas não algo que incomodasse algo amigo em que estranhamente se pode confiar. Entramos numa padaria ali próxima e pedimos um café. Elem então me olhou com seu sorriso.
-  Senhor Rafael. Precisa mesmo de um apartamento?
Eu estranhei a pergunta. Como assim, precisa mesmo de um apartamento? Claro! 
-Eu sei que a pergunta é estranha, mas  há outras opções.
Como boa corretora ela queria me vendar algo mais lucrativo para ela. Matei a charada.
- Sim preciso de um apartamento.  É que me separei e preciso de algo cômodo, pratico e  seguro.
- Eu entendo que está só agora.  Mas nunca se sabe o dia de amanha. O senhor pode achar alguém e uma casa seria melhor. Não estou lhe oferecendo para comprar uma casa. Mas para apenas alugar um apartamento provisoriamente. Esse apartamento que estou vendendo não seria adequado para o senhor nesse momento. Caso o senhor encontre alguém terá que vendê-lo porque mal comporta um casal.
- Me desculpe senhora Elem, mas eu não estou casado e se...
- Nunca sabemos do futuro.  Às vezes o amor pode surgir assim do nada, num minuto para o outro, num olhar...
- Eu entendo, mas....
- Pense. O senhor pode encontrar alguém com um filho e....
- Não, não pode ser... Veja bem eu quero ver esse apartamento pode ser. – Eu confesso que fiquei irritado com Elem, e não entendi direito aquela sua insistência para eu não comprar o apartamento. Não iria mesmo, apenas queria ver o apartamento.
Elem sorriu e me deu o seu cartão.
- Esse é outro telefone onde eu posso te ajudar. Mas já que insisti em comprar esse apartamento. Vamos lá.
Eu estava achando aquela situação muito estranha, e começou a me preocupar. E estranhamento quando chegamos a portaria do edifício, Elem desapareceu misteriosamente e  enquanto eu a procurava o porteiro veio em minha direção.
- O senhor é o senhor Rafael?
- Sim!
-A senhora Elem da corretora Maestro está te esperando no saguão.
Elem? Eu então olhei para o cartão que Elem havia me dado na padaria. Era um cartão verde escuro com um estranho símbolo feminino e que se dizia. “Apreenda a ver os sinais sutis da vida que lhe promove o destino” - Elem –visão extrassensorial.
Eu confuso entrei no saguão e a nova Elem veio em minha direção com um sorriso cativante, um olhar meigo e um ar de bondade que mesmo na confusão que eu estava me sentindo perdido, pude apreciar e desejar. Aquela Elem me pareceu tão intima tão conhecida minha.
- Sou Elem da corretora. 
- Esta muito tempo aqui?
- Uma hora mais ou mesmo. Mas não se importe com isso. Eu sei como é complicado o trânsito de São Paulo.
Então eu sorri aliviado.
- Você quer tomar um café comigo!
- Claro! Ela disse sorrindo.
-  Acho que vou querer comprar uma casa.
- Ótimo eu tenho uma que se eu tivesse dinheiro e compraria.
- É mesmo.
- Sim principalmente pelo imenso quintal em que meus dois filhos podem brincar.
- Você é casada?
- Separada?
- Eu também!
Elem então sorriu contente. E botei o cartão da primeira Elem no bolso e passei o resto do dia com Elem da minha vida.
Foi amor à primeira vista como Elem havia me dito. Comprei a casa, me casei com assumiu os seus dois filhos. E um dia eu liguei para Elem para marcar uma consulta.
E estranhamente o número que ela me deu era do Peru, onde Elem morava.

terça-feira, 20 de março de 2012

O AROMA DA MORTE

A menos de dois quilômetros do quartel  palácio de Bongue, corpos de opositores do  ditador são jogados numa vala cercada por algumas floresta e savanas. De dia calor intenso  a noite é o frio intenso  auxiliando os cadáveres a putrefazem.

São tantos os corpos que ali são jogados. Jovens, velhos, crianças, que o  peso de um corpo novo sobre o outro favorece o prensar e assim, no processo de apodrecer, o sangue vai se  espirrando e coagulando, se juntando a outro sangue e outro.  E por  fim como a um processo de  fabricação de carne, um liquido viscoso denso que de vermelho passou a negro intenso  foi tomando conta da vala  onde mais corpos todos os dias eram jogados.

O ditador gosta muito de matar.  Todos os dias após uma refeição pedia que  um oponente seu fosse torturado e morto  em frente aos seus olhos.  Por vezes outros ditadores amigos seus estiveram ali assistindo ao espetáculo. O ditador da Coréia do norte. O ditador da Síria. O Ditador da China, alguns russos remanescentes do comunismo. Frances que gostavam de matar no Haiti. Alguns soldados americanos que estiveram no Iraque. Latinos Americanos ditadores e traficantes. Alguns  homens oficial de Israel, Suécia e Alemanha  e claro ditadores Africanos.

Sim eram homens que sabiam apreciar a tortura, a morte do individuo por sofrimento e um bom banquete seguinte. Afinal sendo ditadores, o poder lhes dava esse direito.

 Mas um dia o vento  levou o cheiro da vala e seu sangue putrefatico até o quartel palácio  do ditador.

Ele experimento o aroma entrando por suas narinas, desfazendo-se de toda realidade que conhecia. Não se lembrando de ter tamanha experiência em sua vida. Foi amor a primeira vista. E o cheiro do sangue apodrecido da vala, lhe tomou os mais íntimos desejos, o fazendo se sentir tão bem na vida como nunca antes pode experimentar tamanha sensação de bem.

Ordenou aos seus capitães que  descobrissem de onde vinha  tão precioso aroma.

Aqueles capitães e seus subalternos não entenderam ao certo que aroma era esse, porque sentiam apenas o cheiro da podridão.  Tampando o nariz sempre.

Então procuraram em matas, e savanas, trazendo todo tipo de planta conhecida e desconhecida.  As mesmas plantas que  produzia os aromas mais desejado por todo o planeta.

Mas ao ditador não passavam de aromas desnecessários. Recusava a todas e violentamente mandava matar os soldados que as trouxeram.

E num dia mais de trezentos soldados de sua guarda foram mortos e jogados na vala.

  - Mas senhor se continuar a matar mais homens nosso exercito se acabara. – intervir um capitão.

   - Porque é tão difícil cumprir o que ordeno!

Os pesos dos corpos dos soldados aumentaram o fluxo de sangue na vale e o vento trouxe novamente o aroma de sangue apodrecido.

  - Não sentem esse aroma, tão sublime, tão sofisticado, tão  maior que a própria vida...

Não sentiam tal aroma, apenas o cheiro do sangue  apodrecido.

Então um capitão entendeu a tragédia. E para não arriscar a sua vida, usou de sua estratégia.

  - Senhor esse cheiro, é levemente ácido! – perguntou ao Ditador.

  - Sim!- disse o ditador sorrindo.

 -  E lembra um pouco um cheiro de carne!

 - Bastante! Interessante.

 - Seria um aroma como ao de um açougue.

  - Muito parecido. Realmente. Mas longe, muito longe de ser igual

  Então o capitão pediu um momento  ao ditador e ordenou que  dois saldados fosse até a vala e coletasse  sangue em uma garrafa de vidro. Algum tempo depois, o ditador foi servido da garrafa  transparente onde a cor negra avermelhada do sangue   causava arrepios a todos.

Os olhos do ditador acenderam mais que todas as luzes de Bongue.

E ao tirar a tampa da garrafa, o cheiro insuportável do sangue apodrecido tomou os narizes de todos causando náuseas.  Obrigando a todos a tampar o nariz.

O ditador então descobriu a vida. O cheiro do sangue lhe tomou a sua existência  agarrando –o de  vez  e fazendo sentir que não poderia mais viver sem aquele sangue.

- Onde encontraram esse aroma dos deuses!

- Senhor. Acho que não vai querer saber.

- Seu insolente. Matem esse capitão.

- Senhor! Esse aroma vem da  vala próximo daqui. Onde todos os corpos mortos durantes anos, são jogados como o senhor ordenou. Nada de cemitério para os opositores.

 - A vala. Sim a vala. Levem-me até a vala.

Como o capitão não queria morrer e ninguém mais ali. Levaram o Ditador até a vala, e diante do vermelho negro, a cor mais linda do mundo onde o aroma mais divino de todos era produzido o ditador não pode resistir.  Salto para dentro da vala, sentindo o seu corpo ser penetrado por todo o sangue que expeliu. Tomou o sangue, banhou-se com o sangue, sentiu que o seu sangue pertencia aquele sangue. Foi abraçado por aquele sangue.

De todo o sangue que produziu agora era consumido por ele.

O ditador virou parte daquele sangue. Sumiu para sempre no mar de sangue que produziu.

E todos os que o viram se acabar naquele sangue, temeu por um dia fazer parte daquele sangue. Tamparam a vala, encheram de pedras para que planta alguma crescesse ali e se alimentassem daquele sangue. Voltaram para as suas casas, decretou o fim da ditadura. E por tanto sangue derramado, os homens do ditador passaram a comer apenas vegetais.

E o mundo passou a se perguntar o que acontecera com o ditador de Bongue que sumiu. Outros ditadores começaram a temer o sumisso do ditador de Bongue e por fim tamparam as suas valas.

domingo, 18 de março de 2012

Escuro


Escuro.


 

   Labirinto negro escuro apagado

   Onde a alma cai, e  encontra outras almas

   Para enxergar outras almas e ouvi-lás

   É preciso saber da morte, que se  esta morto

   Não pode desejar a vida, nem a luz.

   Se desejar a luz, está se apagara

   Se desejar a vida está se distanciara

    Haverá apenas mais labirinto, mais morte

   Na morte tem que se respeitar a morte.

   Na vida tem que se respeitar a vida.

 

  Se entende que está morto, não desespere

  Não lamente

  Aprenda que se esta morto

  Antes aprendeu que estava vivo

  Leve da morte apenas a morte

  Assim como leve da vida apenas a vida.

 Assim como a vida,

 A morte não é eterna.

terça-feira, 6 de março de 2012

Amigos do Além.


        Vivíamos juntos e por muito tempo na paz, como dizem por ai. Eles eram quatro e apareciam  vez por outra , mas todos os dias, em espelhos, tv’s, reflexos em vidros, no vapor do Box . Quase sempre estavam apenas olhando. Eu tinha certeza que estavam cuidando de suas vidas. Ops! Desculpem-me! Estavam cuidando da vida após a morte. Sim eram fantasmas ou espíritos ou talvez fruto de minha imaginação.

Mas o fato era que viviam em minha casa desde que eu tinha 7 anos de idade e minha família ali se instalou.

     Eu nunca tive medo deles: Três mulheres e um homem todos da idade que não parecia ser exata. Às vezes parecia jovens outras vezes velhos. Nunca se comunicaram comigo ou qualquer outro membro de minha família. Não se comunicavam fisicamente, mas estavam sempre nos olhando.  Às vezes sorriam, outras vezes pareciam tristes.  Nos os vivos não sabíamos quem eram eles, nem o que faziam entre as paredes de nossa casa, os cômodos os moveis e nós.  E com o tempo fomos acostumando e nem nos importávamos mais.

    Meu Pai e minha mãe os viram algumas vezes, mas também nunca os temeram. Não comentávamos sobre eles com mais ninguém, como um segredo de família. Ou talvez por tememos que as pessoas se afastassem de nós por causa deles. Talvez esses espíritos também tivessem esse medo e por isso não se comunicavam conosco.

    Um dia meu pai foi transferido para outra cidade, minha mãe o acompanhou e eu permaneci na casa. O meu trabalho e minha faculdade não me permitiram acompanhá-los. E então fiquei só na casa com os espíritos ou fantasmas.

E como disse no começo vivíamos em paz.

    Eu então comecei a namorar. Era uma menina que eu estava de olho faz tempo. Já tive outras namoradas e as trouxe para a casa. Assim como os meus pais os espíritos souberam respeitá-las. Nunca apareceram para elas, fosse nos  espelhos, vidros ou no vapor do chuveiro.

Mas com a nova namorada a coisa mudou. Desde o primeiro instante em que a trouxe para a casa. Primeiro veio um silêncio assustador.  E derrepente no pé de minha cama abraçado a ela em plena noite, eu os vi! Os quatro aparecerem com o rosto transtornado, me recriminando por ter feito algo muito sério. Não disseram nada e se foram.

Aquilo me intrigou.

      Depois as demais vezes que  trouxe essa nova namorada. Alguns vasos se quebraram. A luz se apagou. E alguns deles dera um tapa bem dado na cara da minha namorada. Ela ficou chocada, porque sabia que não poderia ter sido eu. Eu estava na cozinha e ela no quarto.

Estranhamente a minha namorada não se importou e voltou mais vezes.

E os mesmos fenômenos voltaram acontecer toda vez que ela entrava em casa.

Eu pensei seriamente que era hora de exorcizá-los.  Estavam passando dos limites, talvez por ciúmes ou o tempo deles estivesse se acabando naquela casa.

E foi numa noite que o mais incrível e assustador aconteceu.

A minha namorada apareceu com o rosto tenso, sem muito carinho para mim. E quando ela entrou na casa. O silêncio dominador se desfez com o seu grito. O quatro espíritos ou fantasmas apareceram na sala, frente aos olhos dela. E com o desejo de devora - lá.

Ela se desfez do susto e  sacou uma arma apontando pra mim.

    - Mas porque isso. O que está acontecendo! – eu perguntei.

    - Venha comigo! Isso é um seqüestro. – Ela disse.

E então os quatros fantasmas desapareceram.

E na sala dois homens entraram.

    - Vamos leve ele. - ela disse.

Mas não conseguiram.

Moveis começaram a voar sobre eles a distancia de milímetros passando por mim. Eram cadeiras pesadas, que se quebravam sobre aqueles dois homens derrubando-os.

    - Peça para  pararem se não eu atiro em você. – Ela me disse, apontando a arma para mim.

Eles não pararam e ela atirou em mim.  Cai desfalecido, vendo os meus amigos espíritos mais de perto. Agora eu me sentia um fantasma. E vi a minha namorada, por quem eu estava dando os meus sentimentos ir embora. Correndo para se salvar da polícia.

Aquiles espíritos não eram fantasmas assustadores. Eram pessoas como nós que viveram em diferentes épocas naquela casa e cada um com a sua história. E porque ainda estavam ali? Nem eles mesmos sabiam, mas sentiam como uma ordem dos céus que teriam que permanecer ali por algum tempo.

      Na verdade, eles não queriam que eu morresse. Ficaram furiosos com a aquela minha namorada  para me proteger, eram os meus anjos da guarda. Eles sabiam da intenção dela.

E não morri. A polícia chegou me socorreu, prendeu os dois homens caídos ao chão e mais tarde prenderam a minha namorada. Todos faziam parte de uma quadrilha de estudantes de classe média que seqüestravam por dinheiro, para a boa vida com drogas que levavam.

Meus pais voltaram e certificaram de que eu estava bem. Eu contei toda a história, e juntos não tivemos duvidas de que aqueles espíritos eram nossos anjos da guarda.

Voltei para casa, agora tudo estava em paz novamente.

E daquele dia em diante eu só namorei as meninas que os meus amigos espíritos consentiam.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Os malditos de Naya.

Trovões estremeciam o meu carro, ao mesmo tempo em que me cegavam raios intensos cortando os céus naquela maldita noite, num trecho da rodovia BR 319. Eu havia deixado Porto Velho em Rondônia e me dirigia a Manaus. Iria cortar ou sobreviver nessa rodovia mal conservada e engolida pela selva amazônica. Passei por Humaitá e segui a BR 319. Sou representante comercial de maquinas de cartão de uma empresa de São Paulo, e como por essas regiões a economia está acontecendo eu tive que aproveitar a oportunidade. É uma grande região, e poderia fazer todo o percurso de avião. Mas me encantava muito dirigir por essas bandas, conhecer então a famosa Floresta Amazônica.
 
Trovões estremeciam o meu carro, ao mesmo tempo em que raios cortavam a noite.
 
A chuva era intensa e não parecia que ia cessar. A rodovia muito mal conservada, lama pura me fez atolar num trecho. Não podia descer, tive que esperar. E na mesma noite como a um ato seguinte o Céu estrelou. Via-se ao fundo no horizonte a tempestade se indo com seus raios.
 
Então desci e mesmo na escuridão tentei desatolar o carro. Impossível. Florestas imensas como paredões intransponíveis de árvores cercava a rodovia, ladeava. E como um mundo estranho e distante do meu. A floresta estava silenciosa.
 
Fiquei olhando para ela, e então eu senti ela me engolir. Hipnotizado, acompanhei o seu chamado. Agora eu ouvia todos os animais da noite. Toda a vida da floresta e quando dei por mim o silêncio novamente.
 
Por alguma razão ou acontecimento. Sei-lá. Acho que a minha pressão caiu ou subiu, mas o fato era que eu estava fora de mim, inconsciente. Sentindo mãos invisíveis e dominantes me carregarem.
 
O calor desapareceu, a floresta densa e cheia de vida desapareceu. Abri os olhos, até então não sabendo que eles estavam fechados. E me assustei.
 
Agora árvores negras e secas como cadáveres inundavam um campo sem horizontes, e que parecia não ter fim.
 
Senti um frio, uma nevoa fétida de coisa que não tem vida. O silêncio regia a tudo. E ao olhar mais profundamente, eu vi que folhas negras gigantescas entrelaçadas como um a um casulos pendiam das árvores em imensos cordões umbilicais. Eu soube de alguma forma que eram sangue, mas não era vermelho. Era sangue negro.
 
Então ela apareceu.
 
De estranha forma, com olhos dominantes e que pareciam saber de mim. Era um vulto, um demônio, um ser humano, um... Tudo junto e ao mesmo tempo. E com ela centenas de pessoas ao seu redor. Pessoas como eu. Perdidas naquele mundo, e sem poder dizer que estava com medo. Como se a nossa alma estivesse sido penhorada, suspensa e mesmo assim se podia perceber que se tem uma alma.
 
- Bem vindo ao banquete! - Ela disse com uma voz igual uma serra elétrica cortando uma carne com osso. - Sou Naya o que você sempre me alimentou toda vez que matou, desprezou, ignorou. Somente pessoas assim, alimentos assim caem em meu reino.
 
Era uma punição moral, eu sabia, eu entendi. Mas não me lembrava qual era a minha culpa.
Talvez tudo aquilo fosse fruto de alguma árvore alucinógena da floresta que eu esbarrei.
 
Mas Naya insistiu.
- E já que me alimentaram por tanto tempo, agora é a vez de a alimentarem os meus filhos.
Então as folhas negras começaram a se abrir, e centenas de criaturas começaram a sair recém-nascidos e famintos. Gritos estridentes das criaturas, e gritos de dores das pessoas se misturavam. Assim como sangue vermelho que caia sobre aquele mundo negro.
Naya gritava contente, feliz como uma mãe que vê o seu filho se alimentarem.
 
Então uma dessas criaturas se aproximou de mim e como se eu fosse um brigadeiro, me comeu.
Senti a sua boca imensa e fétida mastigar o meu corpo numa dor infernal e mesmo sendo triturados por dentes imensos e afiados eu ainda estava vivo.
Senti o meu braço direito ser arrancado, depois a minha cabeça e o resto do corpo. Senti ser engolido, descer garganta abaixo junto com uma saliva densa e acida até cair no estômago daquela criatura, arder num  taxo de óleo fervendo. Uma dor mil vezes insuportável a qualquer dor que havia sentido.
A minha alma doía.
E soube que ficaria ali, por muito tempo até ser digerido. Outros pedaços de pessoas iam caindo garganta abaixo. E como um ponto escuro em minha alma ganhou luz, encontrei uma voz.
Era um perdão, uma magoa minha que me fez não conversar com uma pessoa por anos. Eu pude perdoar e aceitar o seu perdão.
Incrivelmente acordei dentro do meu carro sabendo que um inferno passou em minha vida.
A estrada continuava na lama, mas o meu carro não estava mais atolado.
Cheguei a Manaus, e liguei para minha mãe pela primeira vez em três anos. Ela me pediu desculpa, e eu também.
Talvez a floresta, à noite, ou Naya, não sei. Mas daquela noite em diante, eu procurei sempre ter mais cuidados com as minhas magoas.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O vermelho revelador- um amor entre almas.- parte final.


Eu tinha que encontrar o meu pai? Mas por quê? Perguntei-me e por um instante eu hesitei. Aquilo tudo era demais para mim. O espírito daquela mulher, toda a sua história, e mais o fato de eu descobrir que sou adotado e que meu pai  viveu um amor e que agora ....

Não, não, não. Tomei a consciência de que tudo é muito fantasioso e ao deixar a minha sala

Encontrei as três mulheres, olhamos demoradamente.

- O que foi? – perguntou uma.

- Eu não posso fazer nada disso, não posso deixar a minha família a minha carreira e ir atrás de um cara que um espírito me disse ser o meu pai. O Brasil é um continente não é um pais pequeno, levaremos anos para encontrar esse cara e além do mais...

- Nos estamos aqui para ajudar. Essa história merece um final feliz, nem mesmo que for entre um morto e um vivo.  – disse uma mulher.

- A vida sempre tem uma jogada a mais em sua manga. – disse a outra.

- Mas o que ela quer afinal com o meu... Esse cara. – eu perguntei.

- Reparar todo erro talvez, dizer que o ama e que mesmo tudo o que aconteceu não a impede de dizer que o ama...

- Eu não posso, eu...

Eu não disse nada, um choro leve de criança começou a expandir pelo consultório. E foi intensificando. Nos quatro ali olhamos um para o outro e percebemos que o choro vinha de dentro da minha sala. Cuidadosamente fomos para lá abri a porta e choro ficou mais intenso, nítido, desesperador e acalentador.

Em nossa frente então, sobre o painel vermelho ela começou a materializar-se trazendo ao colo o seu filho, recém nascido nu, como haviam abortado.

- Ele quer o pai, precisa do pai. Eu não posso sair daqui desse consultório. Foi aqui que o mataram e eu matei. Traga o seu pai aqui, e só assim teremos  sossego. E você também.

Eu engoli seco e olhou para a criança e para ela, a dor daqueles dois me doeu também.

- Vocês estão vendo  e ouvindo? Eu perguntei para as três.

Elas confirmaram que sim.

- Eu desde criança ouvi essa história e a história que podemos ajudar a ter um final feliz.

- Vamos encontrar o seu pai.

- Nem que seja a ultima coisa que faremos nessa vida.

As três mulheres disseram em lagrimas.

Eu então concordei e ao concordar a criança parou de chorar. E fomos atrás de meu pai. Por mais que isso me causasse algum transtorno e problemas com a família e profissional, não era nem um pouco parecido com a dor de meu pai, daquela mulher e da criança. Se pudermos fazer um pouco pelo outro, o mundo parece melhorar.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O vermelho revelador- Um amor entre almas.- parte VI


Ela me olhou pedindo ajuda. A mulher que lutou por sua vida, por seu amor estava pedida, caída, sem luz.

Eu olhei para ela, sabendo que tudo era real.

- Você quer a minha ajuda!- eu perguntei e juro que não lamentei a sua via.

Ela sorriu.

- Você é forte. Um homem e tanto como o meu Pedro.

- O que posso fazer para te ajudar?

- Tão forte e destemido como...

- Eu não tenho medo do que está acontecendo

- Tão sóbrio e homem como...

-...

- Pedro é o seu pai...

Eu senti o mundo mais vivo forte, como se fosse o que eu esperava.

Ela sorriu.

- Esta surpreso?

- De alguma forma a minha alma esperava por isso...

- Eu sinto muito todo esse drama...

- Ele ainda esta vivo?

- Por isso eu preciso de você, que você encontre o seu pai.

- Por quê?

- Para dizer a ele toda a minha história  para que a magoa e a dor  que ele carregue deixe a sua alma em paz. E somente o filho dele pode dizer isso. O filho que ele sempre quis o filho que ele não viu crescer e se tornar esse homem que é...

Eu encostei-me à cadeira e ela se foi o vermelho no quadro ficou mais intenso e as três amigas apareceram em minha frente.

- Que história! Estamos aqui para ajudá-lo. 

terça-feira, 29 de novembro de 2011

O vermelho revelador- Um amor entre almas.- parteVI




O meu pai com todo o seu dinheiro comprou policiais e alguns jornalista, ninguém ficou sabendo do caso, apenas que foi um assalto, mas que não havia pistas. Nesse mundo de homens com dinheiro e poder, o inferno impera a podridão domina. Que se fodam eu não estava nem ai para eles e muito menos para o meu pai.

Enfim grávida e viúva.

Agora era o meu pai que queria tirar essa criança.

- Esse bastardo não vai nascer...

-  Bota a mão no meu filho e vou a imprensa  além de ter meter um processo. Você já arruinou com a  minha vida, não vai agora tirar o meu filho.

- Não meça força comigo menina. Você vai sair perdendo.

- Não mexa com o meu filho...

Ele não me ouviu e um dia, me botou no carro e me trouxe aqui nessa casa  onde agora tem a sua clinica de ginecologista. Aqui nessas paredes, nessa sala onde estamos era uma clinica de um médico amigo de meu pai e que fazia abortos. Claro que nesse país aborto é ilegal. Mas que tem dinheiro pode tudo.

E o maldito médico me botou na maca para tirar o meu filho e quantos antes já não havia feito.

Doparam-me e tiraram o meu filho, jogaram no lixo só porque era filho de um peão.

Foi à dor mais terrível que senti em minha vida, e como havia perdido a minha vida ainda  fraca, matei o maldito médico deixando o seu sangue correr, correr.....

As enfermeiras entraram correndo e viram a cena, com medo de escândalo e do meu pai com todo o seu dinheiro não ligaram para a policia, ligaram para o meu pai. E ele apareceu em minha frente me vendo com as mãos sujas de sangue.

- Você esta louca! O que você fez!

Louca eu. Louca eram eles. E com toda a dor e ódio, matei o meu pai também o que deveria ter feito antes.

E com as mãos ainda em sangue, comecei a pintar esse quadro todo vermelho para lembrar a todos o que é uma dor, uma maldade feita com uma mulher um homem e uma criança. Uma maldade feita com um amor, uma felicidade, vidas... Vidas... Vermelho, vida...
Não fui presa porque tenho dinheiro. E voltei para buscar Pedro.
Mas ele não estava mais lá.
Voltei pra casa, terminei de pintar o quadro com o vermelho do sangue daqueles monstros e mandei colocar naquela maldita clinica que comprei com o dinheiro de meu pai.
E depois de um ano sem achar Pedro. Resolvi dar fim a minha vida.

domingo, 20 de novembro de 2011

O vermelho revelador- Um amor entre almas.- parte V




Pedro e eu ficamos felizes com a possibilidade em ter um filho e três meses depois eu estava grávida. Todos os dias eles vinha do trabalho e acariciava a minha barriga com o bebe.
Estávamos felizes como nunca até então eu havia imaginado, sonhado o que é a felicidade.
E um dia eu vi entrar pela porta de minha casa, simples de madeira no meio da selva, o meu pai e dois outros homens todos armados. Eles não me deram escolha, me ameaçaram e me levaram para o seu carro. Pedro voltava do trabalho e correu desesperado ao me ver entrar no carro. Um dos homens atirou  para o alto e Pedro mesmo assim não parou de correr em nossa direção.
- Não se aproxime de minha filha... Eu te mato. – gritou o meu pai.
- Não faça isso pai pelo amor de Deus...
- Mas ela é minha mulher, nos casamos... - disse Pedro desesperado.
- Nunca, ela já é prometida de outro.
Os dois capangas ao lado de meu pai apontaram a arma para ele.
- Pedro não... Eu vou... Mas não quero que te matem...
- Me matar... Não vou ter vida sem você...
Não teve outra escolha e partimos, Pedro estava triste, com a amargura de homem que perdeu tudo. Eu chorei dia e noite sem parar. E meu pai, nem mesmo se importou.
Voltei para a minha casa, e lá fiquei sabendo que eu me casaria com um deputado
- Mas pai...
- Não me faça perder a cabeça...
- Tudo bem, eu caso, mas me prometa que não vai fazer mal algum a Pedro.
Meu pai prometeu e mesmo na dor na terrível dor de estar longe de Pedro eu fiquei mais aliviada por ele não correr risco de vida.
Não contei a ninguém sobre a minha gravidez e finalmente conheci o tal deputado. Bem mais velho do que eu.
Rapidamente nos casamos e um mês depois a barriga começou a aparecer. O velho maldito Deputado se irritou e quis tirar o meu filho. E entre o meu filho, Pedro e esse verme do deputado, eu não tive duvida. O matei.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O vermelho revelador. Um amor entre almas. - parte IV


O seu nome é Pedro, moreno forte com seu olhar dominador me pôs aos seus pés. E como toda história de amor, a principio eu recusei, lutei. Na verdade eu tive medo do sentimento que ele buscava em mim. Mas quando duas almas se falam nada pode impedir nem todos os medos do mundo, nem todas as dores.
Ele se aproximou de mim, um  dia e tocou a minha mão. Ele sabia exatamente o que eu sentia, ele reconheceu em meu olhar o mesmo que eu reconheci em seu olhar. Deixei ele me tocar, e senti a coisa mais forte e abençoada em  minha vida quando ele me beijo.
- Eu te amo. Ele me disse  e eu acreditei.
Pedrão era peão, cuidava de vacas e cavalos. Era calmo, suave em sua força porque sabia de sua força. Era simples, não tinha nada, nada além da roupa do corpo e do emprego na fazenda de meu pai. Para mim isso não importava. E assim  fomos nos encontrando todos os dias, após o seu trabalho,nas margem do Rio Pardo. No beijávamos e somente isso era o suficiente. Ficávamos até a noite apenas um ao lado do outro.
Eu tive outros homens em minha vida, mas Pedro era o primeiro homem em que eu sentia a sua alma. E por saber de sua alma eu  conhecia o mundo, o paraíso e o que é estar viva.
Disse Diadora olhando para mim, através dos olhos de Sara.
... Até que um dia o meu pai ficou sabendo. E como toda história de amor, ele disse não ao nosso namoro. Mandou Pedro embora, me proibiu de vê-lo. Mas não como todo amor é mais forte que qualquer não. Eu fugi e me encontrei com Pedro e fomos embora da cidade. Fomo para Goiana, depois Manaus. Eu então apreendi a lavar passar, viver com pouco dinheiro e pouca comida. Mas nada disso importava, eu estava feliz, uma felicidade que vinha da alma.
Pedro me amava, e dizia isso todos os dias. Eu também o amava.
E então um dia, eu perguntei se ele nunca teve outra mulher.
E quando ele disse que sim, eu estremeci.
- Eu gostava dela, mas não a  amava. Ele me disse.
- Mas eu sinto uma tristeza em seus olhos.
- É a tristeza de não conhecer o meu filho.  É que ela fugiu grávida com outro peão. Eu sinto que o filho é meu.
- A gente pode encontrar esse filho.
- Nesse mundo de meu Deus. Só Deus mesmo um dia vai por ele perto de mim. Mas ele deve estar bem. Deus é pai.
Então propus a gente ter o nosso filho e ele aceitou.