sábado, 14 de maio de 2011

A ÚLTIMA RUA - parte-IV




Fiquei só naquela imensa sala ouvindo os gritos e agora  uma certa dor que começou a me tomar. Eu não tive medo de Soraia, porque a tinha em minha alma há muito tempo. E não te-la começou uma dor em mim ao mesmo tempo em que me dava forças para ir buscar aquela mulher e enfrentar todo aquele mundo da morte. Então me pus a andar pela casa, ir de cômodo a cômodo em busca de Soraia ou algo que  me levasse até ela.  Paredes imensas onde  gritos parecia ecoar moveis feitos de corpos de pessoas onde as suas almas passam por ali. E a cada cômodo o inferno era mais nítido. Até que encontrei um espelho imenso de moldura vermelha onde olhos  cravados como diamantes contornando a moldura estava a observar-me.
E desse espelho eu pude olha-lá novamente. Soraia, prisioneira em seu inferno. O inferno que criou por todos essas centenas de anos.
- Deixe-me entrar!
- Vai embora, você não pode ficar mais aqui.
- Mas você foi me buscar!
- Eu me enganei!
- Não Soraia está na hora de você deixar o seu inferno e libertar todas essas almas. 
-Não posso libertar essa almas, eu as matei todas. E se libertar para cada alma irei morrer mil vez a mesma dor.
- Matou todos dessa cidade.
- Um a um, por anos. 
- Por ódio!
- Por vaidade!
- Mas você é tão bonita, não precisava ter matado por beleza.
- Agora me vê bela. Mas....
- Mas....
- Um dia você me deixou por outra mais linda...mais bela...
- Eu...
- Agora eu posso te reconhecer Álvaro. Você me fez vir para esse inferno.
Então como se toda sombra fosse tirada de meu olhos e dos olhos de Soraia, pudemos ver o nosso passado indo naquela casa para o século XVIII.

A ÚLTIMA RUA - parte-III

 
Aquelas pessoas mortas insistiam demoradamente com seus olhares para a última rua, e como a uma energia em que eu não pode controlar , então como se todas aquelas mãos me empurrassem para a última rua comecei a caminhar. Era um energia num silêncio  dominante daquelas pessoas mortas, e como um rato nas garras de uma gavião eu era levado sem pode me mover. Tudo estava parado, ave alguma cortava o céu. E mesmo que azul estranhamente o céu começou a transformar-se em meus sentindo, não era mais o céu, na era mais a cidade nem mesmo era eu. Era o toque da morte me levando para a última rua.E lá estava eu na última rua não sabendo o que fazia ali e vendo apenas um imenso pasto depois dos paralelepípedos que calçavam ao rua.  E até onde os seus olhos podiam enxergar não existia mais nada.
E então como vinda do nada e trazendo as trevas uma casa apareceu. Uma casa sombria imensa uma dessas  casas típicas do senhores fazendeiros da região e que herdaram de seus avós, fazendeiros donos de escravos. Fui sendo empurrado para a casa, sem mover um músculo sequer. Podia se ouvir gritos enquanto a porta de folhas imensas de madeira nobre se abriam, negras e quentes. A força daqueles mortos me levou para a casa. E derrepente ao olhar para atrás não vi mais o mortos, mas a imagem assustadora de demônios avermelhados com lanças afiadas guardando a sua saída.
E estranhamente não tentei correr, já não tinha mais força alguma sobre o meu corpo ao mesmo tempo em que uma consciência  de que agora eu era dominado se concretizava claramente.E estranhamente não me lembrei de oração alguma apreendida nas igrejas. E também não quis rezar.
E pisando então nas imensas salas da casa onde o assoalho parecia ranger juntos com gritos de dores, a vi enfrente de seu trono  todo roxo e dourado. Era uma mulher linda e exuberante que o ouro e diamantes que vestia não tirava a atenção de sua beleza. Jovem e com olhar penetrante me fez aproximar.
- Sempre fui Soraia, nunca mesmo antes  houve outro nome em minha vida. Soraia. - disse Ela, com a voz doce e forte.
- Eis uma rainha! - perguntei.
- Hum! gostei disso. Um homem que não me teme e reconhece o meu valor! - Ela disse.
E não sei porque eu disse aquilo.
- Sabe porque está aqui!
- Porque você quer a minha alma!- Assustadoramente eu sabia aquela resposta e mesmo assim não temi.
-E não temes por isso!
- Não posso temer uma mulher que desejo!
Ela então  desfez o seu sorriso e  fechou as mãos como que se protegendo.
- O que diz!
- Soraia, não pode ver em minha alma que sempre esteve nela.  Eu sempre te desejei.
-Cala-te. - Ela gritou desesperada.
- Não sente o que sinto. Em meus desejos em minhas fantasias sempre habitou. Não posso teme-la, eu quero te ter. Ser seu, vamos leve a minha alma...leve o meu amor...
- Desgraçado não diga isso. Não pode trazer sem não o medo, a dor, o pavor nesse reino. 
- O amor então é proibido!
- Desgraçado cale essa boca. Não diga essa palavra...
Eu a enfureci e ela se desfez em chamas....eu fiquei só na sala.

domingo, 8 de maio de 2011

A ÚLTIMA RUA.- parte-lI


 Eu sai correndo com o meu carro e pelas ruas ia vendo as casas todas fechadas, mas se podia perceber os vultos de pessoas mortas atravessando as paredes e me olhando com um olhar de pena como se eu fosse o próximo a estar ao lado deles. Me lembrei daquela famosa frase que minha avó dizia." É preciso sorte na vida, até as flores precisam de sorte,porque umas enfeitam a vida e outras enfeitam a morte". Eu não podia contar somente com a sorte, teria que contar com a minha força de sobreviver e por isso ia engolindo o meu medo de ver aqueles mortos e estar ali naquele sonho ou realidade macabra, tétrico. Mas alimentando o meu medo de morrer o que me impulsionou o meu desespero de sair daquela cidade. E o mais incrível e inacreditável é que todas as casas,que se olhava os mortos, os moradores dessas casas iam aparecendo. Pai mão, filhos e filhas avós e avos, todos apareciam pelas paredes ou sentados em suas varandas e muros. Terrível de se ver, assustador. Mas ai então subitamente parei o carro. E deixando o medo de lado pensei, o porque toda a cidade estava morta? O que havia acontecido que os matara.
Abri a porta do meu carro e sai, e fiquei enfrente ao carro e as vi aproximando de mim, o medo se foi, porque elas, famílias inteiras não parecia assustadoras. Eram pessoas mortas.Apenas isso.E então das casas, saiam outras pessoas, com roupas de épocas de distante gerações passadas que foram morrendo e suas almas permaneciam no mesmo local.
- O que está acontecendo! Vocês querem me dizer algo!
Não falaram palavra alguma, não podiam falar. Mas apontaram para a última rua a poucos quarteirões de onde eu estava e era para lá que eu deveria ir.

domingo, 1 de maio de 2011

A ÚLTIMA RUA.- parte-I

   



Aconteceu comigo uma história que ninguém vai acreditar.

   Quando eu cheguei ao cruzamento de duas rodovias federais na divisa de São Paulo como Paraná, um lapso de memória me tocou. Eu só me lembrava que teria que voltar para a cidade de Campinas e me lembrei também que eu era um vendedor de produtos agrícolas. E mais nada passou pela minha cabeça, meus pensamentos foram arquivados em algum lugar em minha mente em que eu não tinha acesso. 

E ali parado ao acostamento tentando saber qual rodovia tomar sentir um silêncio maior do que de costume tomar a tudo ao redor. As plantações de soja e cana e algumas matas remanescentes. Nem uma viva alma, ou um pássaro passou por mim naquele instante. 

Então entrei no carro e tomei a rodovia a minha esquerda e foi me levando até uma cidade  típica daquelas bandas. Casas simples, com imensos quintais e árvores frutíferas, tudo ao redor de uma praça com uma igreja antiga  e totalmente deserta. 

O único banco da cidade estava fechado,os correios também. Pensei que fosse domingo. E vendo a porta da igreja aberta entrei. Talvez fosse uma missa de especial, e alguém ali dentro poderia me dar alguma informação. E quando entrei, foi uma surpresa danada. 

A igreja estava vazia. Vazia sem pessoa alguma. E ainda mais sem as imagens de santos típica de uma igreja católica  E mais assustador ainda, sem a própria cruz em que Jesus Cristo crucificado sempre permanece no altar de qualquer igreja católica. Tive a certeza de estar pirado. Ficando louco e sai correndo da igreja até o meu carro. Olhei novamente ao redor e não vi uma viva alma. Nem mesmo um pássaro.

Foi quando eu fui entrar em meu carro e dar no pé daquela cidade, que vi um vulto a minha frente. Correndo de uma casa a outra. Então olhei para igreja e vi um senhor de idade na porta da igreja me olhando.

Mas que merda! Eu tinha que sair dali, mas alguma coisa mais forte do que eu me mandou parar e olhar para aquele senhor.  Eu resisti lutando com a minhas forças contra algo que parecia me dominar. Algo mais forte do que eu e vindo de fora. Essa força me sugava sem querendo me levar para algum lugar para longe daquele senhor . E essa força ia ficando mais forte e mais forte. Então como uma louco sai do carro e fui até o senhor cansado, exausto. E aquele senhor soube dessa minha luta.
- Ela está te querendo! lute. Lute.
- Ela quem!....
Ele silenciou-se, tentou me dizer algo mas o som sumiu de sua boca. E ele tentava dizer, insistia e sabia que o som havia desaparecido de sua boca.
Então me levantei.
- Como eu faço para sair dessa cidade.
- A última rua, tem que passar por ela. - A sua voz voltou.
-A última rua.  - insisti e ele disse sim. - 
- Mas o que está acontecendo aqui!
- A última rua. - insistiu Ele. 
- Mas que última rua é essa. Eu quero que o senhor venha comigo... 

Foi a última coisa que disse antes de gritar e sair correndo. Ao tocar naquele senhor a minha mão passou pelo seu corpo e com o seu olhar ele me disse que estava morto, morto como todos naquela cidade. 

O mistério do pato.

Eu sei que é difícil de acreditar, mas aconteceu!

       Não posso dizer a localização exata, mas foi no estado de Goiás, no final de 2010, quando um amigo meu fazendeiro na região me convidou para passar uns dia em sua fazenda. E que faz divisa com um parque nacional e uma área de proteção ambiental. É uma fazenda grande onde o cerrado e a mata da Amazonas começam a se misturar. Tem algumas cachoeiras e lagos. Ali naquela região se vê céu estrelados , como se pudesse tocar nas estrelas. Ar puro, silêncio, tudo o que falta em São Paulo. Era as minhas melhores férias.
E numa manhã, manhã mesmo, porque lá o povo acorda a cinco da matina. Eu e esse meu amigo dona da fazenda fomos dar uma volta a cavalo para conhecer melhor a fazenda. E após as imensas plantações de soja e pasto para gado, entramos numa mata com trilha e que ele conhecia muito bem. Ele queria me levar para ver uma cachoeira que formava uma piscina natural imensa e que muitas aves e animais silvestres usam para as suas necessidades.  Chegando lá  não se pode se deslumbrar com a beleza do local, é de encher os olhos e toca a nossa alma dando a certeza de que o Criador existe e foi genial ali. 
Descemos dos cavalos, ficamos  debaixo de uma árvores vendo a bicharada se divertir naquela lagoa; O meu amigo me contou que ali estavam alguns patos raros e ameaçado de extinção por isso a área foi transformada em reserva. O que é justo. E para surpresa nossa depois de algum tempo observando os bichos, todos sairiam correndo, debandando, voando para longe como desespero. Ficamos surpreso, e até o meu amigo comento que poderia ser um Gavião real que os espantou ou até mesmo uma onça pintada. Mas ai percebemos que se tratava de um helicóptero do exercito que voava baixo procurando algo.
Ficamos onde estávamos e vimos que o helicóptero foi embora. E então vimos na lagoa aparecer um pato.  O pato estava tranquilo agora e   não havia voado como os demais mas se escondera entre as matas que circundava a lagoa. E para nós aquele era apenas um pato, mais nada.
Mas ai o helicóptero do exercito voltou rapidamente não dando tempo do pato se esconder. E ele então saiu voando e o helicóptero atrás. Ficamos observando surpreso que se tratava aquilo. Seria que os saldados estavam caçando pato com helicóptero! Seria o pato algo mais que um pato!
Ainda sobre o impacto da cena, vimos no céu o helicóptero voar mais baixo atrás do pato, que agora sim parecia desesperado e saiu voando com toda a sua força. E então do helicóptero veio uma rede e pegou o pato levando para dentro da aeronave voltando misteriosamente de onde veio. Eu e meu amigo ficamos sem saber se tínhamos visto coisa ou era real.  Especulamos todas as possibilidades possível e  voltamos para a sede da fazenda para almoçar.
E logo após o almoço, um carro do exercito apareceu na sede da fazenda querendo conversar com o dono.
Eu e meu amigo fomos receber e um oficial do exercito disse o seguinte.
- Hoje pela manhã os senhores presenciaram uma manobra do exercito. Era apenas uma manobra que por segurança nacional não poderiam comentar com mais ninguém  sob o domínio da lei...... em que poderiam ser condenados por atentado contra  a segurança nacional.  
- Por causa de um pato!- perguntou o meu amigo.
- O senhor entendeu o que eu disse ou quer que eu repita! - insistiu o oficial.
Meu amigo disse que esta tudo bem e que nada seria dito. O oficial foi embora, e meu amigo não disse mais nada. 
Tudo bem, ele não disse pra mais ninguém, mas eu estou publicando. Porque me intriga o que um pato pode implicar na segurança nacional? Aquele pato sabia de algo porque se escondeu e tentou fugir! Mas o que ele saberia, ou o que seria aquele pato. E toda aquela operação por um pato. E a nossa segurança nacional depende de um pato. Loucura, mistério.... Mas um pato?

domingo, 17 de abril de 2011

A ilha noturna.-parte-Vll. - Final

Sendo anjo, cada um com a sua missão. 



Ao voltarem para ilha, agora podiam ver  todos os seres e ver também o ódio das diabas que os olhavam sem poder toca-los.  E como a um jogo de futebol as diabas voavam para onde  os três amigo voavam, marcando-os corpo a corpo sem que pudessem toca-los ou impedir que fizessem o que teriam que fazer. Aquelas diabas sabiam o que eles queriam.
-Se vamos tentar salvar alguém, precisamos da união de nós três.- disse K.
- Eu sinto que há alguém nessa ilha que precisa de mim! Eu sinto!- disse Rafa.
- E você já a viu? - perguntou Taro.
Rafa olhou por toda a ilha.  Vasculhando arvores mortas, homens e mulheres, centenas de crianças e  animais. Tudo parecia morto, apodrecendo constantemente. Olhava a todos com cuidado, e mesmo que nenhum ser lhe mostrasse ser quem procurava. Rafa acreditava que estava por ali, o ser que o seu ser sentia.
- Ele sabe o que esta fazendo!- disse K. 
- Você pode sentir isso!
- Sim. Como eu senti você e Rafa me chamar.
- Eu não sinto ninguém me chamar nessa ilha. Mas desde que me tirou do mar, ouço uma voz no horizonte além de tudo que se pode ver aqui e é uma voz forte como se estivesse aqui ao meu lado.
- E essa voz chama por você!
- Ela diz o meu nome constantemente.
- Então assim que Rafa encontrar a alma que procura. Iremos procurar a alma que te procura.
Taro sorriu. E a voz que ouvia se acalmou.
Mas do alto onde estava puderam ver o amigo Rafa voar para mais alto, deixando a ilha e indo até onde os seus olhos o perdiam. Foi uma força que o tirou da ilha.
Taro quis voar atrás dele.Mas K o segurou. Sabia o que estava acontecendo.
Uma grande explosão de luz tomou o céu atingindo a ilha clareando tudo o que estava escuro e morto e atingindo a alma que Rafa procurava, agora iluminada para ele. Rafa segundos depois desceu dos céus com asas de anjo. E mergulhou na ilha tomando a alma que procurava. As diabas diante de tanta luz se esconderam nas cavernas profundas e apodrecidas, mas mesmo lá a luz chegou. E a luz mais uma vez as queimou com todas as vezes que uma alma ali era salva . As demais almas nada perceberam.
E Rafa ao tomar a alma caida naquele inferno,  a viu como  esqueleto morto onde as carnes estavam mastigadas pelas diabas  ser penetrada pela luz, e fazer-se o ser mais lindo que a sua alma sentiu.
K e Taro também viram a transformação.
Rafa estava contente, tinha em seus braços o ser mais lindo que já viu.
- Quem é ela? - perguntou Taro.
- Certamente a alma  que a sua alma procurava! 
- Mas ela é tão linda! Como pode ficar assim tão morta aqui nessa ilha!
- Na verdade olhe para eles. E verá que ele veio salva-la. Provar o seu amor. Ela está nessa ilha desde 1880 quando a sua família imigrando para o Brasil naufragou. Os seus pais não queriam que ela se casasse com Rafa.
Ela o esperou e ele veio busca-la. Essa é a missão deles, provar o amor.
- Como sabe tudo isso!
- Taro meu amigo. Essa é a minha missão. Ajudar os amigos.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

A ilha noturna. - parte VI


 K, o amigo que virou anjo.


       Assim que encontraram o amigo K,  Rafa e Taro entenderam aquela força que os tomavam também. E agora  com esforço desumano jogavam aquelas bruxas para longe de seus corpos. Elas com sede de tê-los cravava as suas unhas sobre os seus corpos sangrando-os onde o sangue pingava levado pela brisa da altura.  K, então com uma força estranha tocava os corte e os cicatrizava. A amizade falava alto, tão alto e longe do que a ilha pudesse atingi-los. E com a ira de suas irritações as diabas os atacava gritando com estrondosa voz horripilante. E para elas não havia limite.
- Meus amigos!- disse K - Só há uma forma de se livrarem dessas diabas. Se joguem no mar. Não temam. E confie em mim. Elas por alguma razão temem o mar. 
- Malditas. - disse Taro.
E a confiança  prevaleceu. E ao aceitarem  a proposta do amigo, K  que irritando ainda mais as diabas os levou para próximo do mar entrando na escuridão que tomava a ilha envolvida num nevoeiro e cercada pelo mar negro. Sob os gritos das diabas desesperadas, Taro e Rafa  se jogaram. 
A água do mar abaixo da superfície era quente, como o mar que freqüentavam e depois de mergulhar fundo submergiram olhando um céu claro e amigo. O sol lhes pertencia novamente e a mão de K começou a tirar os seus corpos da água. Levando-os para o alto. Taro e Rafa sentiram que realmente estavam mortos agora. 
- Então é verdade! - comentou Taro.
- Não importa! Não tenho mais medo! Me sinto livre como nunca imaginei ser possível.- disse Rafa.
- Podemos flutuar, voar pelo mundo. - comentou K.
- Mas e a ilha!
- Nunca esqueça da ilha  Taro. Ela foi uma experiência para nunca se esquecer. Aquelas diabas aprisionam almas que caem lá. Homens, mulheres, crianças, animais, árvores, peixes, plantas. Elas colecionam mortos. E vocês estariam preso naquela ilha se transassem com elas. Porque ao transar com as diabas,entraria nelas e lhes daria a alma . Como aqueles que estão lá. Elas se fazem de homens ou mulheres, pais ou mães, somente para ter as almas.
- Mas temos que salva-los.
- Não temos esse poder, Rafa.- disse K.- 
- Então eles ficaram lá para sempre.
- O tempo aqui, não é igual ao que conhecemos. Acredito que cada um que está lá tenha um anjo, e quando ele acreditam no anjo se salvam. Assim como vocês acreditaram em mim.
Todos sorriram.
- Eu gostaria de salvar ao menos um daquela ilha. Eu sinto que posso.- disse Rafa.
K olhou para Taro.
- Então vamos tentar!- disse K.
Taro concordou.

domingo, 3 de abril de 2011

Ilha noturna. - parte- V

A Força mostra a verdade da ilha.

Rafa e Taro correram para perto delas e preocupados queriam saber o que foi aquilo. Elas estavam lindas e gostosas como antes e despertando em Rafa e Taro a sede de te-las. E assim que aproximaram-se  elas o atraiam para os seus braços. E sem que pudessem  controlar Rafa e Taro sentiram a mesma força tomando-os e arrebatando-os para o alto, causando desespero e ódio nas duas mulheres. A força levou-os para o alto, o mais alto da ilha com um voo violento sem que pudessem resistir. E do alto, o mais alto da ilha Rafa e Taro puderam ver como a ilha .
Macabra, sinistra, escura e violenta. Onde criaturas abomináveis, ora rastejavam sendo comidas, ora faziam sexo. Era um terrível filme já assistido. Pássaros sem asas voavam sobre rios de águas turvas negras  que veias de sangue cortava-o e onde homens  de todas a eras caminhavam por ali como zumbis. Certamente eram náufragos como eles.  E mais alto que a força os levou, Rafa e Taro puderam ver o banquete que se deliciaram-se. Eram corpos de homens e mulheres em putrefação, onde sangue podre e vermes dividiam a mesma carne.
Rafa e Taro quiseram vomitar, mas não houve tempo. As duas mulheres agora aproximavam-se voando como eles naquele altura. Queria dos dois com toda a ira e ódio. E aproximarem-se, foram mostrando os rosto terrível e a verdade que a luz do sol das altura impõem. 
Eram a morte. As duas mulheres eram a morte trazendo em seus rostos o tempo desde o primor dos tempos e marca de cada corpo de homem e animal que mataram e deixaram ali naquela maldita ilha em suas coleções de seres  vivos, agora e a muito tempo mortos para elas. Para o prazer que tinham em mata-los.
Diabas colecionadoras de mortos.
Rafa e Taro assustados  esforçaram-se para não serem levados por elas, e como fosse possível  seguraram com todo o desejo de viver na Força que os levava dali. E ao olharem para essa força o sol do mundo criado por Deus, iluminou o rosto tão humano como eles. Tão amigo. A mesma força que encontram na neblina e agora como anjo que os tirava do inferno era o amigo K. K que se jogou ao mar revolto e que pensaram estar morto. K o anjo o amigo.

A ilha noturna.- parte- IV

O banquete maldito.


Taro e Rafa  viram a neblina se dissipar logo que a estranha força se foi. Puderam perceber as coisas aparecendo lentamente bem a frente de seus olhos. Árvores novas e floridas, pássaros coloridos e furtas apetitosa foram aparecendo.Como se uma magia invadisse os seus olhos com tantas cores. A ilha cinza e macabra desapareceu e  então tornou-se uma ilha tropical colorida e alegre. Rafa e Taro puderam se ver novamente  e de um minuto para o outro tudo o que haviam passado ficou num passado que agora parecia longe e distante.
- Mas onde estamos agora!
- Acho que pagamos os nossos pecados no inferno Taro. Agora é a vez do paraíso. Olhe só o quem vem vindo em nossa direção.- disse Rafa.
Eram as mais lindas mulheres que já viram em suas vidas. Aproximaram-se. E cada uma era tal qual os seus desejos mais íntimos e as vezes desconhecidos que Rafa e Taro tinha por mulheres. E com a força desse desejo  reconheceram em cada uma o seu desejo.
- Vocês estão com fome!- disse uma das mulheres com a voz macia e doce.
Rafa e Taro sentiram fome.
- Venham ! Venham! - disse a outra com seu encanto.
Rafa e Taro seguiram-as, deliciando com as suas curvas e como a um breve momento em que se fecha os olhos e o abre lá estavam eles apreciando um requintado banquete.  Comida farta, todos os gostos que Rafa e Taro gostavam e mais os gostos que nunca experimentaram e mesmo assim apreciaram e enquanto comiam eram devorados pelos olhos das duas mulheres que não desviam um minuto se quer de seu olhar com gosto de vê-los comendo. E naquele banquete nem eles nem elas perceberam que a estranha força que cumprimentou Taro e Rafa ainda a pouco sob a neblina, agora  de longe os observava.  A estranha força se mantinha  tão invisível ao verde das matas como invisível sobre as neblina, mantendo-se calado e em silêncio.
- Vinho! - disse uma das mulheres servindo Taro de vinho.
- Carne! - disse a outra mulher servindo Rafa de  carne.
Taro e Rafa comeram beberam sem perguntarem de onde vinha a comida e a bebida. E assim as mulheres vendo-os saciados ia agora acaricia-los. Primeiro aliviavam o seus cabelos, acariciava-os os seus  corpos, beijavam. Beijavam demoradamente, num prazer que não se pode evitar. Rafa e Taro estavam dominados, entregues. E quando aqueles duas mulheres tiram as suas roupas e as roupas de Taro e Rafa a estranha força interveio. Passando com violência sobre eles levando as duas mulheres com força  e rapidez. Elas ao longe dos olhos de Rafa e Taro revelaram o seu  terrível rosto devorado por vermes de carne podre. Elas lutaram com a força e se soltaram  caindo ao chão  como antes. Lindas e deliciosas.

domingo, 20 de março de 2011

A ilha noturna.- parte-III

O estranho na neblina.

Rafa olhou para Taro.
- Isto é mesmo o inferno! O dia é a noite e a noite é  neblina.
- Tem que ter alguma explicação!.
- Estamos mortos! Essa é a explicação.
Taro olho para o mar.
- Veja esse maldito mar está começando a ficar raivoso. Se estamos mortos, K não pode esta morto. o mar o devorou. Mas mortos são devorados?
-  Eu não sei te dizer. Não sei mais nada dessa maldita ilha.
- Já não tenho mais fome, e nem sono.
- Eu já disse mortos estamos mortos. E morto não tem fome nem sono.
- Se estamos mortos, não há perigo para nós. Vamos conhecer essa maldita ilha. Não temos nada a perder. Não estamos com sono e nem fome...- disse Rafa.
Taro sorriu.
-Você esta certo!
Se comprimentaram  e saíram pela ilha.  Ilha escura, violenta no vento e no mar raivoso que estourava sobre os rochedos e as praias.  E tudo era escuro, sobe um luz que não vinha de lugar algum apenas das próprias coisas. Não havia lua nem sol. Nem estrelas nem claridade além das coisas se mostrarem como são em suas formas.
Pedras escuras, coqueiros velhos e escuros, árvores sem folhas e escura, qualquer coisa se mostrava como era. Taro brincou se podiam voar. Tentou se jogar mas não saiu do lugar onde estava. Rafa sorriu.
Rafa disse se havia algum pecado para pagarem por isso estavam ali. Taro sorriu.
- Acho que de tanta maconha que você fumou. Carne que comeu. As missas que faltou.
Derrepente o mar ia se acalmando e a neblina tomando o seu posto.
- Olha só a merda da neblina!
- É o dia chegando.Ou a noite sei-lá.
A neblina tomou a tudo.
E então alguns animais começaram  aparecer tímidos em sua natureza. Talvez fossem animais mortos como eles. E novamente entre Rafa e Taro uma força passou quente  por eles.
- Sentiu novamente!
- Não é um ar apenas.
- Sinta só ele está entre nós novamente.
- Rafa! Ele é um corpo, sente só.
Rafa tocou como  Taro o ar quente que estava sobre eles.
- É uma pessoa como nós!
Taro concordou. Rafa então estendeu a sua mão naquele força estranha ali parada.
- Olá! E ai! Meu nome e Rafa.
- O meu é Taro! E ai cara !
A força estranhamente estendeu a sua mão. Não podia ser vista e não disse uma palavra. Segurou firme a mão de Rafa e depois a de Taro.
- É alguém amigo.
- Esse aperto de mão! Não me é estranho!
Derrepente a força sumiu como que fugindo de algo. Deixando Rafa e Taro  tentando entender o que ocorreu.



sábado, 12 de março de 2011

A ilha noturna.- parteII.

O mistério da neblina intensa.

O mar havia devorado  K, e agora Rafa e Taro  após a noite mal dormida na caverna sombria , sabiam que teriam que conhecer a ilha e descobrir um forma de saírem dali. Mas o dia parecia não ter chegado. Assim que saíram da caverna os seus olhos  não enxergavam nada além de uma neblina intensa e que impedia de ser ver além de um palmo, Era uma neblina fria, umida. E Rafa e Taro, estar um ao lado do outro era uma atitude de sobrevivência.
Caminhavam palpando a tudo. As vezes eram animais asquerosos que se moviam silenciosamente. Árvores grandes, secas, apodrecendo. Sutilmente  uma força  quente passou pelos dois, esquentando-os.
- O que foi isso irmão!
- Acho que algum ar quente, sei lá. Vamos continuar.
- Mas para onde. Não podemos ver nada nessa neblina.
- Temos que tentar com cuidado porque...
- Estou com fome.  E sede...
- Eu também.
Estranhamente a ilha mostrava um silêncio arrepiante. Nada de pio de pássaros, uivos de macacos barulho do mar. O mar também estava em silêncio.
- Estamos próximo do mar. Sinta a água. E ele esta quieto. Calmo.
- E essa neblina ! Nunca vai passar!
- Há quanto tempo será que estamos andando.
- Não sei! Horas, o sol ele nem aparece.
Então sentaram próximos um do outro sobre a área. E sutil com o tempo de um entardecer a neblina foi se dissipando e a noite cinza e feroz começou. O mar ficou bravio, tudo mais claro como a noite pode promover tal claridade. E  incrivelmente se pode perceber algo assustador.
- A neblina é o dia, ou a noite é o dia. O mar esta revolto, o vento voltou, ouças alguns pios e uivos. Tudo esta acordado nessa ilha com o fim da neblina.
- Estamos no inferno. - disse Taro.

sábado, 5 de março de 2011

A ilha noturna!

1.    Era a onda perfeita! Rafa , K, Taro, estavam ansiosos para pega-la. Puseram-se em suas posições nas pranchas e esperaram que ela a grande onda os atingisse, os tomasse em sua força.  Tinham  enfrente aos seus olhos o continente , a praia com todos esperando o surfe tão esperado  na grande onda tão desejada.
Ela então veio, feroz tomando a todos rebatendo-os. Tomaram a sua crista, elevando-se a cinco, seis, sete metros e deslizaram absolutamente encantados . Surfaram! E então ela se vingou, da imensidade de seu poder, do propósito de sua existência. Derrubou-os. E se foi. Desfei-se como magia!  Deixando-os mergulhado no imenso silêncio das águas profundas. Mas eles se recuperaram tomando as suas pranchas, o ar, o oxigênio e quando deram por suas razões era noite. Um noite, estranha, cinza, sem estrelas nítidas no céu como seria  normal naquele verão.
Olharam para os lados, e viram que o continente havia desaparecido. 
Havia apenas uma ilha, grande e escura como aquela noite.
-Vocês estão vendo o que eu estou vendo?-perguntou  K.
-Acho que batemos a cabeça  fortemente. Nós três! - disse Taro.
- Vamos nadar até a ilha. Depois veremos o que aconteceu! - disse Rafa.
Cansados  chegaram a praia da ilha com as suas pranchas. O mar que até então parecia calmo, começou a ficar revoltou. Marolas, ondas, onde ventos repentino trouxeram uma tempestade.
- Cara, olha para isso!  O que está acontecendo!- disse assustado K.
-Vamos procurar algum abrigo.A tempestade sempre trás raios e ficar na praia é roubada! - Disse Rafa.
Todos concordaram e mesmo não conhecendo a ilha foram penetrando até uma caverna  escura e fria.
-Vamos ficar sempre juntos! disse  Taro.
Um silêncio persistente
- O que está acontecendo, meu Deus. O que isso! Porque estamos aqui! Que ilha é essa! - desesperou-se K.
Rafa o  abraçou.
- Calma amigos, estamos juntos.
- Como podem estar calmos com tudo o que esta acontecendo.- insistiu K
-Sobrevivencia, amigo, sobrevivencia.- Disse Taro.
-Meu Deus, não não é possível. Será que morremos.É a morte, estamos todos mortos.- K em seu desespero não suportou a escuridão da caverna e preferiu a tempestade. Correu de volta para a praia e  antes que Rafa e Taro o impedisse, K mergulho no mar revoltou.
Rafa e Taro, gritaram por ele. Mas a tempestade intensificou-se e  K sumiu no mar revolto e  com uma cor cinza, feroz, devorando tudo que se aproximasse.  Taro e Rafa tinham que voltar para a caverna, não sobreviveriam aquela tempestade. Agora era somente os dois.