terça-feira, 19 de julho de 2011

Cadáver.- parte II

Evaldo ficou olhando o porque aquele balcão  tinha tantos segredos. Não havia razão para isso. Ali, abaixo ao lado em cima de onde estava o balcão, nada existia. Tudo era como o resto do deposito. Evaldo se decepcionou, e voltou o balcão no seu lugar, e voltou para os seu dia a dia. 
A noite fechou a padaria e foi para a casa, logo pela madrugada estaria ali novamente fazendo os pães mais gostoso e crocantes da cidade. E  os fez como sempre, os melhores pães da cidade. As pessoas vieram e compraram como sempre em grande quantidade. E assim foi o dia todo, vendendo pães, tocando a sua vida, e esquecendo o mistério do  balcão, que mistério não havia nada. No dia seguinte Evaldo fez novamente os pães abriu a padaria e botou o mesmo sorriso de sempre no rosto mesmo sendo ainda cinco horas da madrugada. Estranhamente os cliente não apareceram. Talvez fosse o frio, pensou. Então das cinco passou para as seis, e sete e oito e nada dos clientes aparecerem. Evaldo estranhou, se preocupou. Os pães murcharam, esperando os clientes. Evaldo saiu a porta da padaria e viu que cidade estava em seu dia normal. Não era domingo, nem feriado. As pessoas estavam indo para o trabalho. Mas ninguém entrou em sua padaria, para comprar pão ou mesmo  tomar um simples pingado. Evaldo amargou aquela situação, ficou triste. As 15 horas ligou para um orfanato vir buscar os pães que não foram vendidos e eles que sempre aceitava os pães disseram não dessa vez. Evaldo  não dormiu aquela noite e quando acordou na madrugada seguinte para fazer os seus pães na esperança que os clientes voltassem . Um estranho pensamento lhe tomou.
Teria aquele balcão a ver com a ausência dos clientes?

domingo, 17 de julho de 2011

Cadáver. - parte I

A  padaria Roselina  na rua Olímpia é tranquila e faz os pães mas gostoso e crocantes da cidade. Evaldo o dono da padaria a comprou a três anos de um proprietário com os bigodes mais longos e o olhos mais profundo que uma dia soube existir.  Olhos tão forte e dominante que ainda persiste em sua memória. E esse proprietário que não era da cidade, nem natural do país e não parecia ser natural desse mundo, lhe vendeu a padaria como uma estranha condição. Mas, fazer o que? Evaldo pagou e ficou com a padaria e tudo o que estava nela, e a padaria era proprietária de um  segredo. Um segredo que importunava Evaldo todos os dias. O proprietário ao vender a padaria, exigiu que  nunca, nunca mesmo em hipótese alguma, o balcão  de aço inox no deposito fosse retirado. Evaldo a princípio não se importou, mas toda vez que ia ao deposito e via o balcão lembrava-se da condição de nunca mover-lo. A principio, ignorava, mas com os dias e uma melodia estranha entrando em seus ouvidos, ia dando mais atenção a aquele balcão. Um dia aproximou-se e viu que era apenas um balcão de aço inox, com gavetas  também em aço, pés resistentes e aparentemente apenas um balcão. Um simples balcão de aço. Mas porque afinal esse balcão incomodava tanto, e porque tinha que estar ali.
 Dias vão, dias vem.  E Evaldo um dia não resistiu e ao aproximar do balcão  consumido por sua curiosidade em saber o porque não poderia mover aquele balcão. Botou as suas mãos sobre ele, e com esforço descomunal tentou empurra-lo.Não conseguiu. Era pesado demais alem de  suas forças. Irritado, de uma irritação que vinha de sua  esfomeada curiosidade em saber o que  porque não podia mover o balcão. Abriu todas as gavetas tentado tira-las para jogar fora mas não conseguiu, pareciam amarrada ao balcão. E foi então que com as gavetas abertas, conseguiu mover o balcão. Foi só tocar que ele se afastou levemente, sem que força alguma fosse preciso.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Letícia. Um espirito que me desejava.- parte Final

Letícia se aproximou de mim.
- Você me ama não é mesmo!
- Desde que te vi na foto !
- Eu estou morta a quinze anos. Quando eu morri você era uma criança. Eu me lembro. Você brincava com os seus amigos no jardim do cemitério  quando o meu caixão passou com o meu corpo para ser  sepultada. Eu chorava por ter morrido, mas ao te ver eu soube que a sua alma, um dia se encontraria com a minha.
- Você me ama então!
- Sim!
- Eu também te amo e não sei desde  quando.
- Desde  agora e por quanto levarmos esse amor.
- Nos temos outras vidas! Nos encontramos em outras vidas!
- Não sei, durante esse tempo morto que fiquei te esperando eu somente pensei em você. Agora podemos descobrir se houve outras vidas em nossas vidas ou se vamos começar uma série de vida de agora em diante. Você aceita?
- Eu não conseguiria achar outra vida em minha vida sem você!
Então ela se aproximou e eu deixei. Ela entrou em mim e eu entrei em Letícia. E como um luz intensa e forte o sentimento mais lindo que já experimentei me tomou e a ela. Nos entregamos ao novo mundo.
- Espere o que estão fazendo- Eu perguntei.
- É o seu corpo estão sepultando. Agora estamos juntos.
Eu morri, mas estava vivo ao lado dela. E antes de partimos para a vida que nos tínhamos pela nossa frente, eu resolvi psicografar essa minha experiência e dizer a todos que o amor existe e é .....celestial.......

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Letícia. Um espirito que me desejava- parte III

 E por não suportar mas a minha realidade decidi me entregar ao mundo de Letícia, a mundo que ela me convidou ao entrar assim que a convidei a entrar em meu mundo quando olhei para a sua foto no túmulo do cemitério.
Então a noite quanto estava em casa jantei como se fosse a última vez, tomei um banho demorado e vi as últimas notícias do dia na tv. Depois me deitei e me entreguei ao mundo de Letícia.
O verde de esperança se foi, o vermelho  de sua paixão dominou. E definitivamente entrando naquele mundo, perdi todo medo que até então entendi como medo.  A vida ficou mais leve, perder o medo nos torna mais leve.
Ele apareceu então, vendo o meu coração livre e sem medo. Eu pude ver o seu coração sem medo e livre para mim.
- Você, me quer não é mesmo!
Letícia deixou o seu sorriso me dominar.
- Eu não sei porque.
- O que sente por mim?
- E você o que sente por mim?
- Quando vi os seus olhos, eles despertaram em mim um sentimento forte, tão forte que me levou até você sem que eu pudesse me controlar! Porque fez isso com isso comigo!
Eu percebi que ela era minha, sempre minha. Entendi que não era ela que me desejava mas eu que a desejei desde o primeiro instante que a vi naquela foto no cemitério. E eu que nunca acreditei no amor, agora tinha a certeza que ele existe e vai além, muito além do que podemos ao menos imaginar, supor ou entender.

sábado, 4 de junho de 2011

Letícia. Um espírito que me desejava. parte - II.

Ao entregar a minha alma para Letícia, então toda as noites ela aparecia em meus sonhos com uma densidade que nunca havia experimentado. Eu não via o seu corpo, nem o seu rosto, mas sentia a sua presença e o seu toque. Intensos toque percorrendo o meu corpo como se mil pessoas estivessem  ali me tocando. E quando me beijou o prazer de um orgasmo me tomou mil vezes. 
Então eu acordava e exausto tinha certeza de estar ficando louco. E tudo não passava de um deliro ou de uma psicose múltipla e desencadeada. Mas a luz do dia, o sol, as coisas do meu quarto me certicavam de que eu estava bem, numa realidade que era minha e que eu conhecia muito bem.  Mas a noite não, a noite não era minha, na noite e em todos os meus sonhos  a minha alma pertencia a Letícia.
Eu ia para o trabalho, saia com os amigos, jantava, assistia tv, e quando ia dormir, rezava. Rezava para não ter mais aqueles sonhos. Mas eu dormia, e novamente Letícia aparecia tomando o meu corpo a minha alma  e os prazeres tão intensos  me faziam experimentar  o que  alguns chamariam de paraíso outros por não saberem diriam que é o inferno, mas a verdade é que não há palavras para expressar um sentimento orgasmacionante de alma e corpo numa dimensão intensa em que Letícia me experimentava.
E o acordar era como uma porta que me trazia daquela dimensão para a realidade de sempre.
Eu na verdade não estava mais suportando o meu dia a dia, a minha realidade de sempre.

A sua alma.

"Mostre ao mundo a sua alma, deixe um comentário do que desejar para que outros possam desfrutar.
E nós se possível avaliar para depois te possuir."

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Leticia. Um espírito que me desejava.- parte I


Letícia!

Esse nome começou a aparecer em meus sonhos constantemente, logo depois que vi o seu nome em uma sepultura no cemitério central da cidade. Fui ao velório de um tio e ao passar por uma sepultura, senti a sua foto na lápide me olhar e olhei para ela.

E depois todas as noites eu sonhava com algo, uma aparição que nunca dizia o seu nome, mas eu sabia que se chamava  Letícia e que dominava todo o sonho. Não tinha rosto, nem se podia saber de seu corpo, mas eu experimentava a forte e extremamente forte sensação de que seu corpo me dominava.

No primeiro sonho eu me vi em um  caminho que se iniciava com uma cor verde intensa , e um força suave que me chamava para dar o primeiro passo. Lá fui eu, e a medida que essa força ia ficando forte a cor do caminho mudava. O verde intenso enfraqueceu, tornou-se suave e então o vermelho dominou, forte, intenso com o calor que a cor nos dá. 

E  como nunca antes em minha vida, eu pude sentir o aroma do vermelho. Um aroma tão dominante quanto o seu tom. E eu sabia que não podia mais desistir, eu não queria mais desistir. O vermelho , o seu tom , o seu calor, o agora o seu aroma me dominaram o corpo, e do corpo deixei entrar em minha alma. Fui dominado então e cai em seu braços.

O vermelho, era Letícia. E agora eu  lhe pertencia. E ao deixar ela me dominar, sentir as suas mãos me acariciarem, numa densa experiência de carinho, tão densas que pode experimentar um gozo tão inédito para mim, quanto o meu primeiro gozo aos 13 anos.
Acordei rapidamente, como se tive cometido o maior erro de toda a minha vida.
E cometi, ao entregar a minha alma para Letícia.

domingo, 29 de maio de 2011

V.E.S

" Há um som violento em todo ser. Calado, escondido entre tantos que somos. Todos nós temos e ninguém está livre da inquietude que nos agita e nos faz ser o que o outro não é: Uma cópia. Somos seres únicos."
Frase inicial do meu romance" V.E.S - visão extra-sensorial. Dispoinvel no site Agbook e Clube dos autores.

Olhos sensitivos.

Cães e Gatos e suas capacidades de verem o que não vemos!

 Todos nós já ouvimos alguém falar dessa peculiaridade desses nossos amigos. Cães  e gatos há muito que se diz tem essa capacidade de ver o que não vemos. Os cães também tem olfato cem vezes mais apurado que o nosso, assim como a sua audição. E os gatos podem perceber movimentos e formas durante a noite e esses são dados científicos há muito divulgado.
Além do mais, alguns especialistas em paranormalidade relatam que esses nossos amigos, se incomodam quando em uma casa encontram almas insatisfeitas e até mesmo obsessoras, eles a percebem e sai de onde estão. Ou latem intensamente, ou simplesmente ficam observando com olhar parado que acompanha o espírito se mover.
Estou descrevendo essas explicações, porque me ocorreu um fato desconcertante quando eu me mudei para o apartamento , aqui num bairro tradicional de São Paulo e que  me perturbou por um longo ano.
Resumindo:
Logo que me mudei para esse apartamento, trouxe somente as minhas coisas mais básica as demais deixe na outra casa.  No primeiro dia, quando liguei a tv ela deu um estouro  explodindo em mil pedaços e quase me ferindo. Achei que fosse a parte elétrica do apartamento. E ao tomar um banho senti uma dor nas costa que nunca senti antes. O chuveiro também queimou e mesmo tendo tomando banho na água fria, senti uma vontade imensa de dormir, fechar todas as janelas e portas e me isolar do mundo. Sentimentos que nunca haviam me tomado. E tive uma noite péssima, virava de  um lado para o outro não conseguindo dormir. No outro dia, acordei com uma certa vontade de chorar assim por nada. Mas fui trabalhar, e quando cheguei na empresa todos me perguntaram o que havia acontecido porque eu estava muito abatido. Pois bem fiquei preocupado e  toquei o dia quando a tarde voltei para a casa chamei o técnico para consertar todas as coisas danificadas, ele  me disse que ao entrar no apartamento sentiu uma vontade imensa de sair correndo. E não conseguiu consertar. Mais uma noite sem tv e sem água quente. Mais uma noite sem dormir e a vontade de chorar aumentando. E quando acordei pela manhã, não consegui ir trabalhar, fiquei deitado querendo ficar deitado mais e mais. Até que sentindo fome me levantei e fui até a cozinha comer algo. Vi pela janela uma senhora do outro apartamento me olhando. Eu a cumprimentei e ela me cumprimentou.
- Escuta rapaz, você precisa de alguma coisa.
- Um técnico, um eletricista!
-As coisas pifaram novamente.
- Como novamente!
- Sai na porta que conversamos.
Eu curioso fui ver do que se tratava, acreditando ser algo da parte elétrica que causando todo aquele transtorno. E o seu apartamento dava de frente ao meu.
Ela apareceu com o seu gato no colo e me olhou firmemente com toda a certeza de quem sabia o que estava falando.
- Sai desse apartamento. Ele não é bom.
- Mas o que houve para a senhora me dizer isso.
- Olhe só!
Ele então  colocou o gato na escada e ele começou a andar de um lado para o outro, com certa ansiedade. Depois ela pegou o gato e  me pediu licença e o colou dentro de meu apartamento. O gato então saiu em disparada para o seu apartamento.
-Mas o que isso quer dizer!
-Não entendeu meu filho! Esse apartamento está com espírito ruim. Os bicho sentem isso, eles vêem.
Eu cocei a minha cabeça impaciente. Era o que me faltava, uma velha louca com suas crendices me  aporrinhando . Eu agradeci, e voltei para o meu apartamento. Fechei a porta e comecei a chorar.
Então a campainha tocou e era aquela senhora.
- Você não pode ficar!
Eu fechei a porta na cara dela. Um ato que me fugiu do controle. Não era eu, e então comecei a quebrar tudo o que eu tinha. E depois exausto cair no chão chorando sem parar.
Novamente a campainha tocou, era a senhora e o sindico que olhei pelo olho mágico, mas tão exausto que eu estava não consegui abrir a porta.  Eles insistiram e eu deitado ao chão nem conseguia falar. O sindico tinha uma chave mestra e abriu a porta e entrou com aquela senhora, me viram no chão sobre todas as coisas quebrada tentaram me levantar mas uma força imensa os puxou para o chão junto comigo, e como se estivéssemos lutando, aquela força começou entrar na senhora e no sindico. Aquela senhora que sabia algo mais do que eu começou a gritar.
-Sai de mim, sai de mim agora, saia de minha vida. ...
E se levantou como que se livrando da força. O sindico também disse o mesmo e se livrou da força. Depois ela gritou para eu dizer o mesmo.
-É um espírito, e você pode expulsa-lo . Diga para ele sai, diga agora com toda a sua força.
-  Sai de mim, sai de mim agora. Sai, sai.... repeti varias vezes e o espírito então saiu. Eu me senti aliviado e me levantei.  E aquela maldita sensação de morte, de depressão desapareceu de mim assim como um passe de mágica.
O sindico e senhora me levaram para o apartamento dela e me deram um chá e o gato então aproximou-se de mim.
- Ele não entra naquele apartamento de jeito nenhum! Desde que ... Bem...
- Um outro inquilino que morava ali se matou fazem dois anos e desde então, todos que entram nesse apartamento passam por isso que você passou.
- Nós, meu rapaz já tentamos constatar a mãe do rapaz que se matou e alugou o apartamento para você. Nós dissemos a ela tudo o que há, mas ela se recusa a tomar alguma atitude. Ela é dessas religiões radicais que acredita que essas coisas não existem e se existe são coisas do demo. Ela já trouxe pastores ai para benzer, mas não deu certo. Ela não sabe que é preciso evocar o espírito e encaminha-lo para a luz.
Bem eu ouvi tudo e depois dessa experiência resolvi entregar as chaves e alugar outro apartamento. Com o conselho dessa senhora de sempre levar um cão ou gato e se eles gostarem da casa então é porque a casa está limpa.

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#magia #sensitivo #gatos # sobrenatural  #druidas 

domingo, 22 de maio de 2011

O carona.

Beto, trabalhava na mesma empresa há cinco anos. Nos três primeiro anos Beto morava próximo a empresa, na cidade de São Bernardo. Mas quando o seu pai aposentou a família toda decidiu morar em Santos no litoral paulista e que fica apenas uma hora da cidade de São Bernardo.

E assim todos os dias Beto ia e vinha pela rodovia  dos Imigrantes que  corta a imensa Serra do Mar coberta ainda por vegetação nativa e com imensos túneis  para se passar. 

Beto, fez amigos em Santos e todos os sábados jogavam um futebol de areia com o mar lambendo os seus pés. E como toda sexta feira o expediente ia até às 16 horas, Beto aproveita para tomar uma bebidinha com os amigos da empresa num bar ali de São Bernardo. 

E mesmo tendo consciência de que se beber não deve dirigir, Beto abusava. E vinha com aquela conversa de que dirigia melhor bêbado. E assim foi por alguns anos. Mas o destino está sempre de olho em nossos atos, pronto para aprontar das suas.

E assim que numa sexta feira,  Beto depois de beber com os amigos, tomou a rodovia dos Imigrantes para voltar para a casa, quando encontrou uma chuva típica da Serra do Mar. Mal se podia ver com tanta nuvens quase que abaixando sobre os carros.

E já alcoolizado Beto então derrapou e  atropelou um pedinte que ia pelo acostamento e seguindo em zig zag  Beto bateu o carro numa árvore e  no mesmo instante curou de seu porre. Saiu do carro para ver o que aconteceu.

Viu primeiro o carro,  que sofrera amassados diversos mas nada que o martelinho de ouro não resolvesse.  E quando olhou para atrás viu o corpo do  pedinte caído ao chão. Pensou em imediatamente fugir, porque teria complicações. 

Estava Bêbado, e aproximar-se do pedinte ele ainda respirava. Tomou o telefone da concessionária e ligou para o resgate e depois entrou em  seu carro tomando o rumo para  a sua casa. Chegando lá contou a sua família que apenas bateu o carro. Com medo não falou do atropelamento.

Depois  foi para o seu futebol, arrumou o carro e voltou para o seu dia a dia. E  na segunda quando voltou a trabalhar passou pelo local do acidente  e pode perceber que tudo estava como antes. Beto se sentiu aliviado.  A noite quando voltou para casa, ao passar pelo local do atropelamento. Assustou-se e parou. 

Incrivelmente como a uma visão diabólica,  viu um corpo deitado ao chão e no mesmo local onde estava o mendigo que atropelou. olhou pelo retrovisor e o corpo continuava lá. Então aproveitou o trânsito  leve, desceu do carro e dirigiu-se para ver se era o mesmo corpo do pedinte que atropelou. 

Ascendeu a luz de seu celular e não viu mais nada. Beto achou ter visto coisa e voltou para a casa. No dia seguinte quanto voltou para a casa novamente ao passar pelo mesmo local não viu corpo algum mas  figura sinistra do homem que atropelou estava em pé olhando para ele.
Beto se assustou e acelerou entrando com velocidade máxima dentro do túnel e correu para a sua casa, assustado demais para comentar o assunto. Perturbado com a imagem do mesmo homem que atropelou. E naquela noite não dormiu.

No dia seguinte chegou na empresa assustado, e com medo de voltar pelo mesmo caminho.Achou melhor dormir a casa de algum amigo ou em hotel. Avisou a sua família  de que estaria a trabalho e passou a semana ali mesmo em São Bernardo. 

Mas a sexta feira chegou e jogar o futebol com os amigos era indispensável. E como toda sexta feira terminavam o expediente as 16 horas, Beto correu com o carro para pegar a rodovia  dos Imigrantes ainda com sol para chegar em casa antes das 18 horas. 

O transito não ajudou, estava lento e propositalmente a noite veio. Beto temeu e ao passar pelo local do acidente desviou o seu olhar para não ver o atropelado.  E passou sem vê-lo.  Beto aliviou-se até entrar no túnel, quando ao banco do carona o atropelado estava sentado. 

Beto sentiu o seu corpo gelar, mas não podia parar de dirigir. O atropelado olhou para ele com a marca de sangue ainda em sua cabeça o braço retorcido e as pernas quebradas. A luz que iluminava o imenso túnel , iluminava claramente o atropelado. E ao sair do túnel o atropelado desapareceu.
-Acho que estou vendo coisas. Vou procurar um psicólogo na segunda feira. - disse Beto, que voltou para casa transtornado e abatido.

Na segunda pela manhã quando voltava para trabalhar  ao entrar no túnel, sentiu um tranco em seu carro. Parou no acostamento e desceu para ver do que se tratava.

Foi quando percebeu que amassado no capô do carro voltou. O mesmo amassado que ficou após atropelar o mendigo. Mas como aquele amassado novamente  se havia arrumado todo o carro a uma semana?  Ao entrar no carro, e acelerar viu novamente o mendigo sentar-se no banco do carona. 

E ao sair do túnel ele desaparecia. Assim como desaparecia o amassado no capô de sua carro.

E foi assim durante uma semana. Beto procurou psicólogos, pediu para rezar uma missa para aquela alma.

E numa sexta feira quando bebeu mais um pouco e ia voltando para a casa, encontrou o mendigo sentado em sua carona novamente. E com a bebida alta, Beto sentiu coragem de falar com aquele fantasma.
- Vamos o que você quer? Quer me levar, então me leva porque eu não aguento mais.
- Eu quero que você me leve para ver uma pessoa. Eu estava indo ver essa pessoa quando você me atropelou.

Beto respirou fundo. E sem que palavra alguma a mais fosse dita, Beto levou o mendigo para o local que ele queria como se o mendigo agora dirigisse o carro. Chegaram a uma casa simples de caiçaras  a beira do mar. E  Beto desceu do carro tento o mendigo ao seu lado. Uma mulher apareceu magra simples sofrida em seu rosto e corpo.
- O que quer!
Beto então olhou para o mendigo. E começou a falar o que o mendigo lhe disse para falar.
- O seu filho Samuel.
- O que ele fez dessa vez?
- Ele pede desculpas por tudo que fez. Pede perdão mesmo e diz que a bebida e as drogas e que acabaram com ele. Mas ele nunca deixou de te amar como mãe. Ele pede que o seu corpo se jogado ao mar, porque ele não quer que ninguém mais chore por ele. Ele sente muito ter feito tanta gente chorar. 
- Você esta vendo ele....
- Ele esta ao meu lado.
- Então diga a ele que vá com Deus e que eu o perdoou sim. Porque uma mãe nunca deixa de gostar de seu filho.
Beto olhou para Samuel. Ele agora sorriu sem marca alguma do acidente e foi ficando transparente. E antes de sumir de vez olhou para Beto.
- Não se preocupe, você não me atropelou. Eu que me joguei em seu carro. Eu estava com medo de olhar para a minha mãe depois de tanto a fazer sofrer. Obrigado Beto. Obrigado.

Samuel se foi e Beto ficou conversando com a sua mãe. Aliviado agora de sua culpa, decidiu não beber mais em sua vida e não temer mais os seus erros. Passou a visitar aquela senhora todos os finais de semana onde trazia roupas novas, tv e alimento para ela. O que de alguma forma alimentava agora a sua alma com o que até então não havia descoberto na vida. O destino sempre tem uma carta a mais na manga ou uma nova jogada.

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A ÚLTIMA RUA - FINAL.


E então ao entender o meu amor, Soraia esticou a sua mão através do espelho e tocou a minha mão. 
-Tem certeza que é isso que você quer?
-Com a certeza de toda a minha alma! Eu não poderia viver mais um segundo sem você.
Ela sorriu. E me puxou para dentro do espelho. No beijamos pela última vez e a danação de nossas almas começou.  Todos os moradores daquela cidade que Soraia matou e manteve cativa as suas almas desde 1800 foi passando por nós, enquanto a besta se alimentava de nossa dor. Ela sorria e festejava o nosso sofrimento. Mas o meu amor por Soraia ia me fortalecendo e a Soraia também até que a última alma foi liberta e seguiu o seu caminho para a luz e que haveria de seguir. Eu e Soraia não aguentávamos mais, e pedir para morrer era impossível porque havíamos morridos centenas de milhares de vezes.
Então sarcasticamente a Besta apareceu em nossa frente com o seu mundo de dor terrível que parecia nos esmagar.
- Agora podem ir, e se precisarem de mim para mais alguma trabalho estou sempre a disposição. Sempre.
Derrepente toda a casa de Soraia desapareceu e somente eu e ela ficamos  um ao lado do outro. E começamos a caminhar entrando pela última rua da cidade e passando por todas as casas. 
- Todas as almas se foram. Estão livres.  - Eu disse.
- A minha alma ainda esta presa. Eu vagarei por anos ainda a solidão dessa cidade. 
- Não, eu estarei ao seu lado aqui.
- Não percebes Álvaro que está vivo e eu ainda não. Agora eu purgo, nesse purgatório. Deixei o inferno, mas ainda estou no purgatório. E tem que ser assim.
-Não. Eu me matarei para estar ao seu lado...
-Não, não aumente mais a minha pena. Ouça o que tem a fazer é viver tudo o que tem para viver. Até o dia em que nos encontraremos novamente. 
- Mas ...
- Acredite em nosso amor.
Foi a última coisa que ela disse e desapareceu de minhas mãos. Agora eu que sentia a dor de sua ausência a solidão de não te-la. A minha alma doía coisa que nunca imaginei ser tão doloroso e  foi quando a Besta apareceu com  a sua proposta.Aproveitando a minha dor, como é de sua natureza.
- Eu te darei Soraia, desde que me dê almas.
-Almas...
- Uma por dia. E terá Soraia um dia de cada vez.
-Não obrigado, vou seguir o meu caminho. Sou homem de encarar a minha dor, a minha fraqueza.
Ela então se irritou e gritos e  outras bestas apareceram numa escuridão que se fez o dia. Eu não temi . Nenhuma proposta me faria matar alguém . Eu esperarei Soraia o tempo que for preciso, mas com a alma limpa.  Então a besta se foi e toda a escuridão. Eu caminhei pela cidade deserta e entrei na igreja. Procurei o livro de registro  de todos que foram batizado desde 1800 e comecei a rezar pelo perdão e pela alma de cada um. E alguns meses depois a cidade voltou a ter moradores vivos. Um padre, e eu como um homem envelhecendo e esperando a morte até encontrar Soraia novamente, mas de alma limpa.

sábado, 21 de maio de 2011

A ÚLTIMA RUA - parte-V

   Era a mesma casa erguida sobre a fortuna do café e  onde os escravos iam voltado para as suas celas após um dia longo e sofrido.  Soraia e seu pai me esperavam, ou esperavam Álvaro aproximar. Acho que vinha da cidade, e logo depois de cumprimenta-los apeie do cavalo.
- Parto essa tarde para a capital do império. A minha família me espera.
- Mas...- Soraia tentou contra argumentar.
- Eu entendo é o seu cargo na corte. -disse o pai de Soraia.
Então eu parti.  E Soraia ficou na varando me olhando como se desejasse me beijar e ir comigo. De alguma forma ela sabia que nunca mais me viria. E na capital do império português o São Sebastião do Rio de Janeiro eu me perdi. Havia ali mulheres vinda de todas as partes do mundo com os piratas e os marcadores. Soraia tinha razão em sua dor, desconfiança.
Eu voltei a mim e olhei para Soraia  presa ao espelho.
-  Eu não pude suportar aquela dor. Você nunca mais voltou, nem escreveu nem deu noticia. O meu pai morreu dois meses depois. Ele queria me casar com outro fazendeiro da região. E agora acho que teria sido melhor.
- Me perdoei!
- É tarde para o perdão. E  tarde para o meu perdão. 
- Mas e essas pessoas mortas...
- Eu todas as noite matei uma por uma em sacrifico para me manter assim como me vê como a última vez que me viu. Para que esse dia chegasse e eu pudesse lhe mostrar a minha dor de ter te perdido.
- Eu fui um tolo.
- Eu em minha dor a pessoa mais cruel. 
- Podemos ...
- A minha alma foi vendida as trevas e paguei com cada escrevo que matei e cada habitante dessa cidade que ia crescendo em população. Pessoas que vinham moram na cidade e fornecer almas para eu trocar com as trevas mais um ano de vida linda e bela para te esperar até esse dia.
- Eu estou aqui. E vou com você até o inferno agora que sei que te amo.
- Me ama.
- Não vê em minha alma o meu amor.
Soraia começou a chorar.
- Agora então me arrependo. Mas pagarei caro por isso. Sofrerei mil vezes a dor da morte de cada um que matei.
- Eu sofrerei com você. Quero morrer mil vezes com você até livrar de toda a sua culpa.